DA SÉRIE CLIPS LITERAIS

August 19th, 2008

Na década de 80 ainda estávamos aprendendo a lidar com esta nova mídia ¨imagem¨ na música, e alguns clips resolveram utilizar a letra da música como roteiro, só que literalmente, resultando em algumas pérolas do nonsense. Em homenagem ao Rafael Lima, vejam só esta música:

Reparem no detalhe do Coala enquanto o rapaz toca flauta.

COLDPLAY

July 19th, 2008

Fui no show do Coldplay hoje para acompanhar um amigo. Lembrei porque parei de ir a megashows. São chatos e caros. As músicas são boas, mas como é mega, não existe muita espontaneidade, porque o músico tem que ser profissional. A platéia também é profissional e faz mais ou menos aquilo que se prevê. Com raríssimas exceções (como a bela festa milenar do Kumbh Mela), juntar uma multidão de seres humanos é senha para comportamento maciçamente primata.

Vocês podem imaginar que isso é uma espécie de conservadorismo, ou coisa do gênero. É só bom senso. Até porque até mesmo concertos de música clássica são lugares para “ver” e “ser visto”. A maioria das pessoas vão lá pelo ego, e para satisfação social. O melhor exemplo disso é que um dos maiores violinistas do mundo tocou grátis dentro de uma estação do metrô, em um desafio do Washington Post, e só mesmo 3 pessoas pararam para ouvi-lo…

Quanto mais você reflete, mais periga concluir que o máximo que os seres humanos estão construíndo em termos de sociedade é um palanque para medição do ego… Tomara que um dia as pessoas parem com isso. É sacal. Me faz entender porque muita gente boa se isola lá nos Himalaias, destituida de tudo. Pode ser espontâneo!

Frida Khalo e o Moma SF

July 17th, 2008

O museu de arte moderna de San Francisco é maravilhoso, e não é. Encontrei alguns quadros fantásticos, como Lesende de Gerhard Richter, que apesar de ser um quadro que não inventa nada, capturou a minha atenção. Em compensação encontrei uma série de obras que realmente não entendi o propósito, e mostram talvez a futilidade de tornar arte algo além de pessoal, e histórico. Por exemplo, vi uma tela em branco, um bebedouro, uma “escultura” deprimente do Dali, e o famoso pinico do Deschamps, com a seguinte observação genial: “o pinico original foi roubado ou destruído. Deschamps selecionou um segundo pinico, que é este que está exposto”. Pagar 7 dólares para ver um penico que posso ver de graça no banheiro público?

Existe uma seção no MOMA que achei divertida e inteligente, que expõe como peças de arte, o design de aparelhos eletrônicos, como Iphone, móveis, roupas e até técnicas de passar roupa. É interessante, divertido, mas não é emocionante para mim. Mas ao menos é uma valorização de algumas idéias muito bacanas de design industrial. O que mostra que arte não precisa ser somente filosófico, pode ser algo prático, para o público, para o tão temido “mercado consumidor”.

O que me dei conta no MOMA, se é que é representativo de arte moderna, é que arte moderna significa trocar o aspecto emocional de uma obra, pelo valor do choque, da crítica política ou de algum conceito mental, muitas vezes indecifrável. Por isso que me senti completamente fora de lugar no MOMA SF. A minha ligação pessoal com arte é através da emoção.

E por isso que chego a exibição de Frida Khalo no Moma. Ela nunca me empolgou muito porque sempre me foi apresentada como a artista engajada, assim como seu marido, que acho um porre, Diego Rivera. No entanto sorte a minha que fui a apresentação dos quadros dela. No meio a vários quadros sobre dor, e filhos, que achei bonito e repetitivo, encontrei o que para mim é a gema da coleção (Moisés, 1945):

Moises (1945) Frida Khalo

Feito logo ao fim da primeira guerra, sintetiza perfeitamente muitas idéias e emoções, e a constatação que até mesmo o maior horror dos horrores, são nascidos do ventre. Somos todos humanos, e tomamos decisões humanas. E se há tragédia e morte, haverá sempre no amanhã, a vida. Não sei qual foi a intenção dela ao pintar este quadro, mas sei que foi certamente um dos quadros que mais me emocionou nesta última ida ao museu.

CLAREVIDÊNCIA EM EVIDÊNCIA

July 17th, 2008

Uma observação: em muitas situações de “opinião”, podemos observar um indivíduo adivinhando um evento corretamente. Estou falando especificamente das colunas de opinião dos jornais. Em geral, o colunista quando despreparado, passa a trompetear aos quatro ventos que ele é muito gabaritado pois “acertou”. Isto é uma falácia. Em primeiro lugar, na maioria das opiniões, somente um resultado possível é um evento, uma notícia de interesse. Só para ficar em um exemplo bobo, se eu disser que o jogador X irá ser vendido para algum outro país durante um período de transferência, isto é um evento. Ele não ser vendido não é um evento, nem notícia. Ou seja, mesmo uma pessoa incapacitada para “acertar” na multipla- escolha, pode acertar uma pergunta ocasionalmente ou até regularmente. Basta sempre noticiar possíveis eventos, que e um conjunto bem menor do que todas as possibilidades.

Além disso, o mais importante, e que se perde entre a maioria dos colunistas e futuristas brasileiros é que o que conta não é a opinião, mas sim as razões porque se acredita que certo evento será verdade. Em um furo, importa a fonte. Se a fonte for o ouvir dizer do botequim, e de vez em quando você acertar sobre algum evento, qual é o proposito disso? Tudo isso para dizer que é estupidez acreditar em “certo” e “errado” no mercado de opiniões. Esta dicotomia absurda, usada para qualificar e desqualificar tantas pessoas é fútil. A única coisa que enriquece são as razões e fundamentos para todas nossas palavras e ações, inclusive para aquelas de uma coluna de opinião.

PRISÃO DANTESCA

July 12th, 2008

Daniel Dantas só ficou preso tempo o suficiente para pedir as cópias dos documentos que mantem em um cofre em um banco privado americano. E ele sabe que jamais será preso, pois já tem dinheiro suficiente para se exilar em qualquer lugar do mundo que quiser. A realidade sórdida é que ele, assim como Eike Batista, fazem parte de uma coleção de empresários brasileiros que se beneficiou de transações duvidosas com o governo, e portanto devem ter que pagar propina ao Lula, senadores e deuptados. Claro, isto acontece com os empresários que não tiveram transações duvidosas também, mas estes jamais serão presos, pois qual seria a moeda de barganha?

A grande surpresa é a multidão de classe midiáticos que acha o máximo quando um banqueiro é preso. Enquanto isso, vivem como sanguessugas: nada produizem, e torcem pelo fracasso alheio… Ao menos o Daniel Dantas realizou o sonho da metade deste pessoal: enriquecer e viver uma vida com alguma importância, não é mesmo?

O verdadeiro benefício de uma prisão destas nunca se materializa: descobrir a lista dos beneficiados de corrupção, e coloca-los na cadeia. Como nunca irá acontecer, a prisão do Nahas (este é o craque de ser preso, já é a segunda!) e Dantas é mais um factóide que serve para aliviar a frustração pessoal de membros do PT e da classe média.

IMPORTÂNCIA DO JORNALISMO?

July 4th, 2008

Olha, que o Brasil está cheio de jornalistas péssimos, e jornais piores ainda, com seus editorias completamente vendidas a interesses governamentais, é quase um consenso… O consenso é menor em relação a blogosfera, e os interesses pessoais que cada blogueiro defende… A maioria bem clara, e bem vendida também. Mas o papel do jornalismo é essencial em outro sentido, que não econômico ou social: o jornalismo é o único e verdadeiro policial da democracia. Sem canais para reportarmos políticos corruptos, injustiças, ilegalidades daqueles com mais dinheiro e recurso, ou com mais capacidade de se esconder da mídia (traficantes?), aos poucos perdemos o nosso direito a democracia.

Infelizmente, temos pouquíssimos jornalistas não enviesados no Brasil, que investiguem com o mesmo vigor o tráfico de drogas e o exército. As relações do PT com a FARC, e as relações suspeitas do PSDB nas privatizações. O papel do jornalismo é permanentemente questionar juízes, políticos, empresas, empresários, cidadãos em geral… Não estou falando aqui nada sobre “internet vs. jornalismo”e todo o resto do amontoado de discussões fúteis que andam rolando por aí.

A realidade é que em um jornal você pode efetivamente ir para a cadeia por ter mentido sobre a existência de uma fonte. Ao mesmo tempo, em um jornal sério, você pode ser o canal para muitas denúncias verdadeiras. Até aparecer um outro canal assim - que certamente não será um “google feed”,pois os rumores existem aos milhões, e não temos investigadores suficientes para investigar cada rumor- uma organização de informação terá seu papel de um jeito ou de outro.

Senão, iremos viver uma idiocracia (se puderem assistam ao filme Idiocracy)… Sobre o assunto de internet vs. blogueiros vs macacos vs. jornalistas, só isso que me interessa… A parte de opinião e cultura realmente pode vir de um blog, de um texto impresso na parede do banheiro público ou de um livro de algum autor russo. É de cada um… Mas precisamos de monitores da democracia o tempo todo. E os cidadãos-blogueiros podem até ser um canal, desde que sejam judicialmente responsáveis por suas denúncias.

PS: Se puderem leiam a série de John Ellis sobre os founding fathers americanos, e as preocupações que levaram a estes homens, a projetar um sistema com liberdade de imprensa na constituição.

PELO ANONIMATO NA INTERNET

June 17th, 2008

Até hoje não entendo a discussão toda em relação ao anonimato na internet. Enquanto se tratar de uma discussão ou opinião, qual o grande problema? Emitir uma opinião, qualquer que seja ela não é crime. Quem acredita em opinião anônima deve estar acreditando em papai noel… Só que existe uma grande importância do anonimato: é canal de denúncia para algumas pessoas. Não fosse o anonimato, a linha 0800 do disque crime não serviria de muito.

Alguns argumentam que existe o crime de reputação: uma acusação falsa de um colunista, ou de um anônimo online, pode destruir uma reputação. Acho que o caso é muito mais complicado. Um jornal que publique uma coluna anônima acusando alguém não é um jornal sério. Se a sociedade leva isso a sério, talvez o problema sejam nossos valores mesmo. Quando se trata de denúncias vazias, mas com autor bem definido, o incomodado pode procurar a justiça.

A razão porque levanto esta bola é que no Brasil já querem impor controles a internet contra o anonimato, usando argumentos completamente furados. Ora, se pessoas trocam fotos de pornografia infantil, não será o requerimento de ter que colocar um CPF que vai impedir isso de acontecer, afinal geradores de CPF falso existem aos montes. Que a polícia investigue quem vende estas fotos, e os coloque na cadeia!

Ao mesmo tempo somos tolerantes ao voto secreto no congresso e no senado, o que para mim é muito mais importante e perigoso do que um anonimato na internet. Um oficial público, escolhido pelo público por conta de suas opiniões, e pago pelo público deve justificativas sobre o seu voto ao público… Enquanto esta no congresso ou no senado, não é uma ação privada… Outro tipo de anonimato também me incomoda: o fato que uma parte dos servidores públicos não precise prestar contas sobre os gastos de dinheiro público, a começar pela presidência.

Os danos destas políticas é muito maior que qualquer problema causado pelo anonimato… Existem alguns blogueiros e donos de site que se incomodam com o anonimato, pois seus egos não toleram mensagens anônimas que os detonem. Não percebem que estas mensagens só tem poder porque são valorizadas pelo recipiente. Como bem disse um colega: se seu ego não precisar dos elogios, a crítica jamais o incomodará…
A verdade é que levar a sério listas de discussão, opiniões de orkut, ou mesmo opiniões de blogues ou jornalistas é estupidez. Forme sua própria opinião, não a partir de opiniões de terceiros, mas a partir de fatos. E tenha a coragem de não ter opinião de vez em quando…

A mania de controle da sociedade brasileira vem lá do Brasil Colonia, quando a corte tinha que saber tudo que ocorria com o ouro que saía daqui. Se queremos ser uma sociedade do século atual, não precisamos mais esta obsessão em previnir opiniões que consideremos errôneas… Se for um crime, basta processar o criminoso. Se for anônimo, ignore… Uma ameaça de morte anônima pela internet deve ser investigada pela polícia usando ferramentas contra o cibercrime. Não devemos é impedir todos de se comportarem com liberdade na internet.

Novamente, a solução do crime de abuso da liberdade, não é restringir a liberdade, mas sim ser eficiente em buscar e punir os infratores! Não quero pagar pela incompetência da polícia e da sociedade…

Disclosure: Eu nunca emiti uma única opinião na internet de forma anônima ou com e-mail enganoso, pois não temo o que digo. Inclusive admito quando mudo de opinião ou algo do gênero… Mas ainda assim sou a favor da possibilidade do anonimato na internet.

O TOQUE NO MUNDO DOS BITS

June 16th, 2008

O mundo é cada vez mais virtual por conta da transformação da informação em bits. Idéias, conversas, observações são algumas centenas de gigabytes armazenados em algum lugar processados pelos seus olhos e ouvidos. Neste mundo em que vivemos na cabeça, o toque é, e será o produto de maior valor. Uma experiência em um restaurante, o abraço de um amigo, o beijo do amante, o carinho macio em um felino, a maciez de um pijama de flanela, estão se tornando as experiências mais raras, e mais desejadas. Talvez, com as novas tecnologias de virtualização das sensações, isso também vire bits and bytes… Mas ainda assim, a presença em meio a pessoas e objetos de verdade dificilmente terá um virtual equivalente. O prêmio desta presença é a incerteza sobre os acontecimentos, a desocberta do improvável e do não imaginado, do irracional. Um dia inventam isso no computador, mas até lá aproveite antes que fique tão caro quanto o petróleo.

CONSISTÊNCIA E LEALDADE

June 10th, 2008

As pessoas me pedem consistência. Mas estou sempre mudando. Sempre que me colocam em alguma caixinha, em alguma classificação, eu já cai fora. Não sou, nunca serei consistente com a expectativa dos outros. Sou consistente aos meus princípios. E um deles é estar permanentemente aberto as possibilidades da vida, a mudança. É ter uma atitude permanente de surpresa com os acontecimentos. E algumas vezes é até mesmo falar o que se pensa, sem ter certeza, e mudar, caso se esteja errado. Algumas pessoas se irritam comigo por isso. Você é inconsequente, inconstante, ou coisas do gênero. São poucos que entendem o meu profundo respeito as pessoas em geral, e as pessoas mais próximas de mim em particular. Meu respeito se mede pela minha lealdade. Há uma grande diferença entre ser leal, e ser consistente.

Uma pessoa consistente, geralmente é desleal, porque se sua consistência é ameaçada por um outro ser humano, ela sempre escolherá a segurança da consistência. Jamais o desconforto da lealdade. A lealdade é literalmente estar ao lado de alguém, fazendo o que for possível por este alguém. Lealdade se mede pelo sacrifício. Quantas vezes você deixou algum assunto marginalmente importante para manter a fidelidade e lealdade a um amigo? Quantas vezes disse SIM quando lhe pediram alguma coisa?

A lealdade é uma escolha. Não necessariamente é uma virtude essencial ao ser humano. Mas consta no meu princípio de vida. Sou leal as pessoas, por mais que não sejam comigo. Minha lealdade é ao princípio de ser intolerante ao sofrimento alheio, pequeno ou grande. Se podemos fazer alguma coisa, porque não?

Mas não me peçam para ser consistente. Não me peçam para encaixar nos seus modelos de vida para mim. O que um ser humano é, ninguém consegue dimensionar. Somente pessoas superfíciais, ou sem imaginação é que imaginam que sabem tudo o que alguém é. Superficialmente pode até ser. Muitas pessoas vivem a sabor de esteriótipos. Mas em realidade devemos sempre perguntar ao outro: quem é você? O que você sente, pensa? Estou agindo bem com você? Você precisa de alguma coisa? Porque você agiu assim? Este respeito é a regra fundamental da civilização.

E se você acha que me enquadra como um carioca, sou indiano. Como um indiano, sou americano. Como cientista, sou um empresário. Como empresário, sou um monge. Como monge, sou um cientista. Como um esquerdista, sou de direita. Como de direita, sou de esquerda. Como dependente, sou independente. Como independente, dependo de quem amo. Como desorganizado, sou capaz do mais minucioso e detalhista dos trabalhos. Como organizado, sou o próprio caos. Como inteligente, sou bem estúpido. Como estúpido, sou bastante inteligente. Como de sucesso, sou desconhecido. Como desconhecido, tenho muito sucesso.

Mas se tem uma coisa que sou, sou leal. Sou leal a minha humanidade, e a humanidade do próximo. Nisso você pode contar comigo.

AIM HIGH, LOOK FORWARD

June 7th, 2008

Ter sonhos, e visões grandiosas, não é ruim não. É importante. Mais importante ainda é trabalhar para transformar estes sonhos em realidade. A vida não é algo muito glamuroso. Com um pouco de sorte, quem trabalha duro e sonha alto tem uma vida interessantíssima e com sucesso. A satisfação pessoal advém do sentimento de que somos capazes de realizar nossas visões. Este prazer independe do reconhecimento dos outros sobre quem somos. Junto com alguns sonhos, é muito importante ter alguns princípios. Príncipios flexíveis o suficiente para serem mudados ao longo da vida.

Nossos princípios morais e éticos mudam de acordo com o nosso aprendizado. Mas devemos a todo momento estar conscientes de quais são eles, e se agimos sem estar de acordo com estes princípios, qual foi a razão? Agimos mal? O princípio tem que ser mudado ligeiramente? Uma combinação dos dois?

No mundo de muitas culturas que se dissolvem uma nas outras, não adianta imaginar critérios rígidos para julgar as ações de todos. Por outro lado, relativizar completamente todas as ações individuais é caminho para uma sociedade menos saudável. Bom é o caminho do meio: procurar conhecer os princípios alheios, e manter sempre o PRINCIPAL deles: “Respeito a mim, respeito ao outro”.