Haloween, melhor e pior das fantasias

Mais lamentavelmente original: um cara de preto, vestido com uma camisa com um P enorme bordado. Os olhos pintados de preto ao redor. Qual a sua fantasia? Black Eye Pea !!!! (Feijão fradinho - ouvi do próprio)

Mais patética tentativa de ter uma fantasia: um cara com uma sacola de supermercado na cabeça com dois furinhos. Se incomodou em colocar a inscrição: recession hit me hard. Accept any counter items. Foremost sugar, baby. Hilário.

Fantasia mais assustadora: um cross dresser (ou melhor, uma bitch), cross dressed de homem. Carregava uma pequena inscrição: “forgive my breasts”. Hilário.

Cena mais engraçada: Dois homens, um com sotaque alemão, se beijam na frente da Sumitra. Um deles diz: “Hei. Bite but don’t chew”… A cara da Sumitra foi a coisa mais engraçada do dia.

Cena deprimente: tequino heads oferecendo tentativas de strip tease em umas varandas da rua. Como havia esquecido os oculos em casa me poupei da cena.

- Ram R, 8:08 AM

Halloween à americana, européia, asiática …

Falando nisso, acabo de voltar da minha maior aventura até agora aqui em Berkeley. Fui ao frénetico Halloween parade de quinta a noite em São Francisco na Castro street. Para quem acha que falta de educação é só coisa de brasileiro, pude constatar quão mal educados são os americanos (a minoria por ali), asiáticos, europeus, latinos … Vamos aos highlights da noite/madrugada, que lançam luz na crença mística dos brasileiros de que tudo que é de fora é melhor (melhor ainda se for da europa):

1) O transporte público que ia até lá foi tranquilo até chegarmos em São Francisco. De Berkeley para SF você usa o BART, uma espécie de mêtro intermunicipal. No mêtro troca-se para o Muni, que é o metrô de SF (mais ou menos, pois ele vai por cima da terra também). Bom, entramos no Muni e começou o festival de grosseria. Muita gente animada, muita gente com fantasias lindas, terríveis, maravilhosas. Em comum, muita gente mal educada, que empurra, joga asa de anjo na sua cara, e nem quer saber que se alguem quer sair do trem, é melhor sair da porta, deixar as pessoas passarem, e depois entrar de novo. Ao menos, algumas monstrinhas fantasiadas de gatinhas (ou melhor, vice-versa) fizeram passar o tempo. Chegamos lá cedo, 2hs antes do horário quente.

2) Chegando lá, fomos tomar um café no famoso Mundi da rua Castro, reduto da vanguarda e dos gays de SF. Chegando lá, enquanto esperávamos na pequena fila na porta, ouvimos um casal que falava francês trocando baixarias freneticamente, um casal lésbico, onde a mulher estava pagando esporro na outra, e um outro grupo de pessoas atabalhoadas. Highlights: as fotos na parede são todas de casais gays; os garçons todos fantasiados (um deles de fraldão geriátrico com uma inscrição que não lembro); Um garçom que se emocionou porque me incomodei de jogar os guardanapos e papelotes de açucar no lixo, depois que compramos os nossos cafés para viagem. A figura me diz: “you are such a sweet boy ! I wanna marry you !”. Uma amiga que foi comigo me enchou o saco por causa dessa e de uma outra …

3) Na Castro em si, muita música tequino (and otherwise) ao vivo, muita gente bebaça, e muita fantasia engraçada. No processo de andar pelas ruas, muito empurrãozinho, falta de consideração, sem o menor senso de civilidade. Não sei se estou velho, ou se as coisas andam piorando… Highlights: vários brasileiros; música ao vivo muito boa; ter visto o death ghost’ty a 2 metros de distância (é um fantasminha essencial na festa); fantasias variadíssimas, tinha até navegador português a caráter; muitas belezocas da área da baia; ter recebido duas cantadas de mulheres e duas de homens (low-light, ao menos para mim, um reacionário de plantão). Coisas de SF.

4) Voltamos quando começou o horário de pico. Logo se instalou o caos total. A rua virou um empurra-empurra só como na saída do Maracanã, mas por 10 quadras. A prefeitura genial fechou o acesso ao Muni nas estações mais próximas, mas não mudou o horário do bart (o último passa à meia noite). Lembrem-se o BART é o acesso de quase todos municípios próximos, portanto só em Berkeley pelo menos 6,000 (15% da população de estudantes) estavam dependendo dele. Foi uma loucura. Um empurra empurra, gente mal educada, rapazes que faziam rodas de zorra (mas no meio da confusão), e pessoas saindo do Muni a rodo (só fecharam o acesso para volta (!)). E além disso milhares de pessoas no fluxo contrário tentando ir ao último BART… Patético. Já estava pensando em dizer a Sumitra que iriamos dormir na estação de BART, porque o trânsito era o caos total (de taxi ia levar umas 3 hs para sair dali). A 5 quadras da rua Castro, depois das dezenas de garrafas quebradas e falta de educação generalizada, a coisa espaireceu um pouco. Corremos as nove quadras (um total de 14) restantes, e chegamos a tempo de pegar o último BART …

5) O último BART. Já na estação há um bom número de pessoas. Estávamos mortos de cansaço esperando. Chega um desses alunos de intercâmbio, italiano, querendo dar em cima de umas americanas que também voltavam para Berkeley. Primeiro, ele empurra uma senhora até que ela saiu do caminho. Chega o trem. Todos entramos. Sorte da Sumitra que ele ficou num pacote de espaço. Azar o meu que fiquei atrás do italiano … Primeiro o cara me xinga, porque ele está me comprimindo e a mochila da Sumitra que estou carregando incomoda a ele quando ele joga todo o peso em cima de mim. Depois um cara que está confortavelmente sentado me empurra porque estou quase caindo em cima dele. Não aguentei e retruquei: “viu só, educação e cultura não são civilidade. O fim deve estar próximo mesmo! Hoplessly pathetic”. Ao menos uma senhora se rasgou de rir. O cara nem se perturbou e continuou a sua linha cafajeste com sotaque(vou dar uma festa lá em casa, vocês não querem ir? Adoro cowgirls, me lembram como é bom breast feeding … AARGH, e não que elas aceitam?). Na última troca de trem (tem uma troca no processo de volta), três idiotas trêbados fecham a passagem, e quase o vagão todo querendo correr e pegar o trem de troca … Outro estressezinho … Para finalizar a noite, uma garota desmaiando e a amiga sóbria tentando chegar até Berkeley. A garota bêbada aguentou exatamente até a estação de Berkeley para depois colocar tudo para fora … Antes disso, devido a um empréstimo conveniente de celular a sobria, recebo: “you are sooo sweet dear… I will never forget it! Let me know when you get down, I am also getting down at Berkeley.” Bom, na confusão sumiu ela e a amiga, mas valeram as direções que dei até o Baja Fresh, o melhor restaurante mexicano daqui e onde ela tinha estacionado o carro. Iamos voltar para nossas casas a pé.. A única coisa boa: descobrimos a existência do serviço noturno, de porta-em-porta (até sua casa), que é gratuito depois das 7 da noite em Berkeley ! Yes ! Ao menos economizei 35 min de caminhada (20 até a casa da Sumitra, e 15 da casa dela a minha). Agora não consigo dormir e estou aqui postando … Fala sério !

Conclusão: a festa inteira é uma ida ao Maracanã em dia de final de campeonato, em versão piorada… Maior dificuldade de transporte, e falta de cortesia multi-linguistica … Ah, sem contar que o túnel de saída das arquibancadas se estende por 10 quadras.

- Ram R, 7:45 AM

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