Rindo
Os donos de universidades particulares devem estar rindo à toa. O sistema de cotas, do jeito que está, vai fazer muito aluno bom pingar mais alguns reais suados no bolsos destes verdadeiros especuladores do país. Já não basta inexistência de sistema público de educação (tá, Pedro II, CAP-UERJ, UFRJ não contam), o imposto de renda na fonte, a falta de aumento para servidores (que compõe boa parte dos empregados do país), o ICMS fora de controle (ou impostos escondidos), tungas esporádicas pelo próprio governo, ausência de finaciamento para casa própria, agora soma-se o sucateamento do sistema de universidades públicas. Quem acha que cotas de até 60% não vão afetar a qualidade das universidades está muito enganado. Fico feliz de ter terminado minha universidade. Sinceramente, minha família, quando passei no vestibular não tinha dinheiro para pagar mensalidade de universidade e escola da minha irmã ao mesmo tempo… E eu acho que, realisticamente, mereço ter feito universidade. Comprovei através de um exame. Não nascemos iguais. Podemos lutar para ser iguais. Meus pais são imigrantes e lutaram muito, começando do zero.
Acho absurda a idéia proposta por movimentos dito sociais. O sistema de cotas está dizendo que uma camada da população é incapaz de se preparar adequadamente para serem tão bons quanto outras camadas, portanto serão conduzidos a universidade pela porta dos fundos. Ora, uma parcela significativa dos beneficiados por quota passariam para universidade de qualquer maneira. A outra parcela, talvez uma grande maioria, se não passou é porque podem estar faltando os fundamentos. Empurrar um aluno que tem muitas dificuldades com matemática de 2o grau para fazer curso de engenharia na UERJ é perda de tempo. Para o aluno e para universidade. Uma vez, caminhando no campus de Berkeley com um prof. da elétrica perguntei a ele sobre o efeito do fim das cotas. Esse professor é associado aos movimentos de esquerda por aqui. Ele me disse só que as universidades só tem obrigação com a transmissão de idéias e polimento de pessoas capazes de pensar. Se o aluno chega despreparado, especialmente aqui, ele é trucidado.
Uma idéia que funciona muito bem nos EUA é do community college. São cursos técnicos de 3 anos de duração, bem baratos, mas bem feitos. Muitos cursos são a noite. Alunos que vão (muito) bem nos 2 primeiros anos podem aplicar para transferência para as UCs, e em geral conseguem fácil. Isso dá uma base melhor ao aluno, e faz ele também descobrir o que ele quer. Não adianta jogar no fogo, e depois ver o aluno se frustrar … Ou pior, desestimular cursos que formam craques, para fazer média com alunos despreparados. É pior para todo mundo. Ainda bem que já me formei, porque é revoltante… Para o Lulinha tanto faz, e para o Garotinho cota é voto. Pior são os palhaços “intelectuais” que defendem a idéia, sem apresentar um argumento plausível, que seja do tipo: “sim, comprovamos que cotas de 60% irão fazer com que esses alunos TERMINEM o curso, e além disso melhora a universidade no longo prazo”.

Leave a Reply