Confissões

Eu confesso. Eu confesso estar vivendo sem motivo. Eu confesso ser incoerente. Eu confesso mudar ao sabor do vento. Eu confesso palavras que machucaram, mentiras que doeram. Eu confesso fazer tudo inconsequentemente. Eu confesso ser dor, e ser só dor. Eu confesso só pensar em mim mesmo, e pensar pouco nos outros. Eu confesso ser insatisfeito, insaciável. Eu confesso ser este eu imperfeito, improdutivo, infantil, infinitesimal. Mas eu confesso. Eu confesso que amo viver. Eu confesso que amo esperar. Eu confesso que amo o ato de amar. Eu confesso que minha respiração me ilude, me dá fé, me dá força. Eu confesso que sou viciado em sentir. Eu confesso que sou completo sendo infinitesimal. Eu confesso ser parte do todo, e ser satisfeito em ser mais uma parte. Eu confesso o êxtase da dor da partida, e da alegria da chegada. Eu confesso a necessidade da lágrima. Eu confesso que olhos me fascinam, que o mundo me absorve. Eu confesso que até nas confissões mais íntimas eu minto. Mas confesso também que nunca minto usando a palavra amor. E confesso, acima de tudo, acima de qualquer coisa, que amo estar vivendo. Estar tendo a oportunidade de ir sendo o que sou, e de no caminho encontrar mais motivos para confissões da alma. Confesso meu amor, ao meu amor, ao amor, o único e verdadeiro amor da alma.

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