Ouvi isso de um colega colombiano: “E quem está aí pelos meus direitos? Os guerrilheiros colombianos tem seus direitos. Os traficantes de drogas tem os seus. Os que vivem em condição desigual os seus. E os meus?”. Este cara aí teve que deixar Cáli a ponto de bala, por motivos que não tivemos tempo de discutir em conversa…
E fica a pergunta: “E quem está cuidando dos direitos da minha família no Brasil?”. Os governantes atuais com certeza não. Senão, leiam por favor as diretrizes de educação (e econômicas gerais) do Marcos Barros Lisboa, atual membro da equipe econômica do LHC. A filosofia dele é que quando um país tem pouco dinheiro, deve focar todos seus investimentos (concordado). No caso, tudo pela luta contra a pobreza. Inclusive, já ouvi de um de seus ex-alunos (FMG), que haviam sugestões de eliminar a maioria dos investimentos em pesquisas acadêmicas em áreas não relacionadas a pobreza ou a cultura nacional (?!), e também outras sugestões sobre deixar o sistema universitário cair de pé, ou seja, sem pesquisa e com educação sendo cobrada. Façam isso meus senhores. Este mesmo aluno me informou que “eu não tenho o meu lugar no Brasil, porque não é lugar para engenheiro eletrônico. Para que pesquisa em eletrônica? Nosso país não tem recursos”. Da mesma boca: “O Brasil não pode patrocinar doutorandos no exterior (ele). Somos um país de miseráveis.” Isso de um doutorando em economia, que com certeza absoluta (dado que conheço bem o cara), vai ser um dos próximos bigshots do nosso ministério, ele beneficiário do sistema…
Então tá. Deixem o talento latente do nosso país se perder em mesquinharias. Enquanto ainda não me explicam a matemática universitária (a UFRJ que é a maior dos cerca de 40 campus federais gasta menos de 12 milhoes de reais/ano, então num total de 100 milhões no sistema federal), que não chega nem a 20% da folha ministerial. Este sistema atende mais de 400 mil alunos. Indo na outra direção, o Fome Zero, a ser gasto em quatro anos, oferece um fundo total de 4.5 bilhões de reais. Um bilhão e meio por ano de governo Lula, isso considerando que o governo não vai querer pagar juros para si próprio. Imaginando que tais fundos sejam inteligentemente investidos, poderiam se aportar 6 milhões de novos alunos no sistema universitário na mesma taxa de investimento atual nas federais. Coisa para se pensar… Será que 6 milhões a mais de pessoas educadas não enviesam o Brasil na direção certa? Imaginando que ao invés de universidade, o investimento seja em escola primária, secundária e técnicas, poderiamos facilmente aportar 12 milhões de novos alunos no sistema escolar. Hoje, no Brasil, segundo estatística oficial são necessários menos de 10% deste total para uma cobertura de 100% no nível primário. Ou seja, com investimentos inteligentes, sem necessidade de destruir uma das poucas grandes instituições do brasil (a universidade), podemos fazer o país crescer educacionalmente …
Pensem nisso cada vez que desembolsam seus 70% de renda em impostos. Chega de sentimento de culpa … Ou a classe média reage, ou vai ser engolida por sua própria falta de personalidade e ambição…