As vezes o universo me sussura, bem baixinho, “ei, psiu, a beleza do mundo não te pertence, mas está ali na esquina”. Eu corro até a esquina, meio sem fôlego, viro, me jogo, louco para dar só uma espiada a mais, só um suspiro a mais, e então, me ocorre uma coisa: será que vislumbrar uma fantasia não acorrenta a alma? Assim mesmo, vou até a esquina. Viro a esquina. Nada. E na próxima esquina. Tudo. Tudo a mesma coisa. Será a próxima esquina, onde vou de novo ver a beleza da vida? Talvez, não seja uma questão de virar esquinas, mas de simplesmente supirar fundo e aceitar que a beleza do mundo não me pertence. Que só talvez, isso seja uma coisa que nasce na memória das pessoas. Então, sigo o meu dia, e de vez em quando, paro em alguma esquina para dar uma espiada.
NA ESQUINA