LO DIA DE LOS MUERTOS

A maior parte da américa latina está comemorando desde ontem o Dia de los muertos. Neste dia, as pessoas seguem a tradição indígena de montar um altar para honrar seus antepassados e todos aqueles que morreram. Grupos de alunos montam altares para seus amigos ou para vítimas de massacres ou acidentes. Ontem fui participar da festa do dia dos mortos.

O evento envolvendo centenas de estudantes do campus, começou com os vários grupos de estudantes organizando pequenos altares, e colocando doces e salgados variados em suas mesas. Os indios acreditam que os espíritos dos mortos convivem consoco, e que o dia dos mortos é uma espécie de dia de aniversário deles, quando esperam por uma festa recheada de doces e salgados. O altar sempre tem muitas flores amarelas, e em especial a flor do sol, o Marigold (uma flor de regiões temperadas). Além de estar ornamentada com flores, um círculo é feito no chão, onde as pessoas podem sentar e meditar.

No início da cerimônia, um artista de Oaxaca, que recebeu de seu avô, através da tradição oral, o conhecimento milenar dos rituais e músicas do dia dos mortos se apresentou. O ritual que se faz é uma forma de tomar 30 minutos da sua vida (hoje em dia, na época eram dias), e meditar sobre o mundo presente em si e fora de si. É como esquecer o ego por alguns minutos para enteder que a vida é temporal, e que no fim, o que deixaremos são as memórias e o que levaremos é tudo o que decidimos ser e sentir.

Na tradição indígena a morte não é ruim. É compreendida como ó processo de renovação para dar a oportunidade para outros se deliciarem com o universo da mesma forma que nós fizemos. É a dança do Shiva, que ao mesmo tempo que destrói, traz êxtase e fertiliza a criação. O ritual é a oferenda do fogo, dos cheiros (pois se queimam galhos de árvores), de frutas e sons a todos espíritos. O dia dos mortos é a preparação para a própria morte. Ë aceitar a própria morte, e encarar como um momento tão doce e emocionante como o nascimento.

No México e em vários outros países - Equador, Peru, etc- a comemoração nas capitais já se mesclou com as tradições católicas, se transformando no dia de todos os santos. Minha opinião é que em muitos lugares, ela também perdeu a conexão com a terra, com os elementos primordiais, que nos trazem a tranquilidade para meditar e pensar sobre algo tão forte como a morte. Ouvir as conchas criando sons, os tambores, sentir o cheiro de galhos aromáticos queimando, constrói o ambiente necessário para nos despirmos do ego por alguns minutos e visitarmos nossos espíritos. Você deixa de ser só você para se mesclar ao que emana da terra e do sol, como dizem os indígenas.

Adorei o festival, apesar de ter ido embora um pouco depois do ritual. Tenho muita sorte mesmo nesta vida. De vez em quando, a vida me apresenta momentos, emoções, sensações que me fazem enteder que existe algo muito além, muito maior, muito mais bonito que as coisas que me preocupo no dia a dia. E o mais engraçado é que estas coisas estão no meu dia-a-dia. O tudo é agora.

E quanto ao dia dos mortos, no momento de meditação, o sol me mandou uma mensagem: o dia dos mortos é comemorar o amor. É entender a importância de algo tão imaterial quanto o amor por tudo que vive. Neste caso representado pelo amor a pessoas que você mal conheceu e pelo amor a memória daqueles que você conheceu. O amor ao ciclo natural das coisas. Eu li ontem, coincidentemente, num livrinho de pequenas filosofias que tenho aqui em casa, que o amor existe em vários sabores. Mas o amor ecstático, orgásmico, é amor sem ego. É simplesmente o amor pelo amor, por ser, sentir. Bom… Deixo para vocês destrincharem, porque eu ainda estou tentando entender…

Leave a Reply