TECNOVERBORRAGIA

Ainda se ouve pessoas que massacram a tecnologia como sendo responsável pelo atual estado da sociedade. Que para eles, e algumas vezes para mim, é esquizofrênico e auto-destrutivo. Mas, curiosamente, quando eu digo que então, deveríamos ter queimado os livros e as colheitas lá atrás, aí se rebelam porque o livro representa a democratização do conhecimento. E eu retruco então, pois é, tecnologia é resultado do conhecimento. E não será o conhecimento a erva daninha que nos trouxe ao atual estado de coisas?

Nestas horas, jogar tudo para o alto, e ir ler os Upanishads traz uma boa dose de tranqüilidade. Pois é, me utilizando de tecnologia, li que: “o universo nasce quando Brahma acorda, e morre quando ele dorme. Esse ciclo, permanente, eterno e causal é a causa e efeito de todos os ciclos de vida e morte no universo, dos planetas, astros e espécies.”

Talvez, o ciclo da sociedade seja este. Mas, para o meu alento, os mesmos Upanishads dizem que na terra - bhumi - temos 4 grandes eras de conhecimento, que vão desde a evolução por espécie(onde microorganismos se desenvolvem em insetos e peixes, que se desenvolvem em mamíferos, e assim por diante) a evolução da sociedade. E atualmente, estamos na era de ouro da Kali-Yuga, onde iremos encontrar o reflorescimento de conhecimento e cultura, mas que no fim (segundo os shastras, daqui a uns 10,000 e lá vai um monte de anos), utilizados somente para fins materiais irão resultar em governantes incapazes de governar a não ser para si próprios, sociedades desestruturadas e doentes e pessoas incapazes de sequer o raciocínio mais elementar (a morte da lógica e do raciocínio humano). Ah, e antes que digam que estou pintando um apocalipse, os shastras dizem que a nossa era é a dos falsos profetas, falsas religiões e falso conhecimento. Só que como toda era, este ciclo também tem um fim, e uma nova era retorna. De certa forma, somos todos vítimas da causalidade.

Portanto, talvez, só talvez, o que importa mesmo não é a tecnologia ou não tecnologia. Mas o que cada um faz, utilizando os meios disponíveis para si, para descobrir sua conexão com o universo. Talvez, o macete de viver é saber que tudo tem uma causa e efeito, muitas vezes inexplicáveis e incompreensíveis (ou alguem te explica porque você foi estudar economia ou jornalismo ou engenharia?), mas saber que as causas e efeitos não irão facilitar em nada o seu viver hoje. Não, a meta que temos com nós mesmos é maior do que as causas e efeitos. Prazer profundo, paz interior e auto-conhecimento são independentes do mundo exterior. Um yogi na Índia, que come um punhado de arroz por dia, ou o equivalente em Berkeley, que faz ioga na academia, medita diariamente, come comida integral, e coisas assim, irão passar pelo que tem que passar para descobrir o que precisam descobrir para chegar no estágio de desligamento da causa e efeito. E para ambos, o caminho é de flores, pedras, espinhos e orvalho.

Viagem né. Mas tudo bem. É bem por aí. Questionamento sábio é aquele que tem algum objetivo claro e fundamental. Os outros questionamentos são marginais e irrelevantes. É criar dor de cabeça desnecessária… Agora, se vocês me perguntarem como a tecnologia faz alguém ter questionamentos sábios? Sei lá. Cada um descobre a sua maneira… A minha é ficar lendo coisas por aí, e depois postando besteiras aqui.

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