BACK FROM THE CAVE

Depois de várias horas de viagem desgastante, eu estou de volta à ativa. O início da saga “Ida ao Brasil 9 - o Retorno do Verão II”, se dá com o herói decidindo as 4:00 da matina de terça que “poxa, ficar debaixo das cobertas por cinco minutos depois de varar a noite não irá atrapalhar a minha ida na van das 4:30″. Ra. Tudo bem. Pior foi em Washington, quando desesperado por um banho (afinal a falta de sono impediu que eu tomasse meu banho em Berkeley), o herói percorre três hotéis e termina numa academia de ginástica onde paga cerca de 20 doletas para isto. E quase perde o vôo para o Rio, porque o amigo que levou ele para uma volta pelas redondezas (afinal a conexão tinha espera de 9- isso mesmo nove - horas), se perde e diz que “basta seguir a trilha daquele monte de aviões descendo”.

No avião, impelido pelo cansaço, e pelo fim da leitura do ótimo “Do androids dream of Electric Sheep?”, o herói se sente acuado por um francês folgado, que preso à primeira fila do avião (aquela de cara para a parede), tem que ocupar com os braços a poltrona a sua esquerda e a sua direita. A direita ele leva uma mochilada. A esquerda o herói reage com uma “livrada” com o livro de onde saiu o Blade Runner (o livro é infinitamente melhor). Depois o francês, resignado, troca palavras com o herói contando da sua vida de “aluno formado em história pela Sorbonne, direito em blah blah, e curso de relações internacionais em Washington pela AMerican University, e que quer trabalhar em ONG, etc, etc.”. Apesar de comunista, o cara se mostrou gente boa.

Por fim, cansado de tudo, ele resolve tirar uma soneca, quando o piloto avisa: “Estaremos entrando uma área de instabilidade climática - apertem os cintos.” em inglês, e em português “Apertem os cintos. Avião instável”. Fala sério. Tudo bem que todos estavam dormindo. E eu também fui… Até que acordei em sampa, já no Brasil, e esperei 2 horas no aeroporto para começar a sentir cheirinho de RIo.

O que é cheirinho de Rio? É aquela vista maravilhosa do avião (completamente nublado). São as lindinhas difíceis que fazem charme. É motorista de táxi que acha errado não cortarem em zigue-zague dentro do túnel. É ver a Lagoa. São meus amigos dali, minha família e meu mar. TUdo de bom. E é claro, aquele soninho gostoso, em casa. Se bem que meu quarto foi ocupado por forças rebeldes (aka minha irmã)… Que saudades de casa !

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