Depois de mais um atentado, desta vez de Israel, que se antecipa em afirmar que “está se defendendo”, me convenci que quem venceram mesmo foram os terroristas islâmicos. A lei da selva já começou, e a selvageria do Hamas, que já matou 677 isralenses, parece só encontrar igual na selvageria do Sharon, e dos grupos de extermínio judaicos que se encontram nos famosos “settlements”. Quem leu a novela do Joe Sacco, sabe que nesta luta não existem inocentes.
O que me doí mesmo é que uma nação cujos valores são baseados na educação e nos direitos iguais, esteja disposta a cometer atrocidades para preservar sua população. De certa forma, é a única forma de “defesa”. Mas fica um gosto salgado na boca. E fica também a certeza de que talvez os terroristas estejam certos mesmo, a vida não passa de uma guerra, onde tudo vale para defendermos nossos direitos.
Só acho deprimente quererem atribuir legitimidade a atitudes deste tipo. Para mim isso é hipocrisia pura. Quem levou Israel para Israel, e aí aponto para Inglaterra, já deveria saber do destino que os encontrava. Por outro lado, uma criança, um homem, uma mulher, são crianças, homens e mulheres deste ou daquele lado do muro. Se ambos não se tocarem disso, não sobrará nem um lado, nem outro.
Um conhecido ditado indiano, aos aspirantes ao monastérios, diz: saber é poder, mas saber é responsabilidade. Uma responsabilidade árdua, que inclui muitas vezes concessões. Pois é, se você acredita no seu saber, no seu conhecimento, tem que acreditar que o conhecimento também liberta. Ou senão, esse saber é falso, e inútil. Não é uma questão de acreditar em utopias, mas sim de acreditar no que se prega…
Como é que você vai dizer para um palestino que a Technion educa melhor que as escolas de treinamento do Hamas, quando (1) não existem oportunidades econômicas para eles e (2) no plano de ações, ambos se comportam no “olho por olho” e de acordo com raça e religião.
PS: E sim, a filosofia judaíca é diferente da prática do judaismo. Na prática, existe muito radicalismo e outros ismos parte de alguns de seus membros. Só que infelizmente, estes membros se encontram também no poder político… Assim como os EUA de Bush, que usa o cristianismo para justificar suas ações, mas nunca se lembra das outras palavras de Cristo: caridade, doação, evitar o olho por olho, abandonar o materialismo, etc…