E AGORA?

Depois reclamam que eu não levo toda essa hipocrisia a sério. Como levar a sério? Como acreditar em livros de história e em um conjunto de normas culturais projetados para soletrar liberdade, mas que no fundo são mecanismo de preservação de raça e credo? Ao contrário dos muçulmanos que abertamente aderem aos seus preceitos racistas, e por isso podemos facilmente apontar este problema, e exigir mudanças, as crenças ocidentais se baseiam numa pseudo-intelectualidade. A verdade é muito simples, mesmo todo o nosso conhecimento intelectual parece não trazer para o coração das pessoas, as idéias que Jesus Cristo proferiu durante sua cruzada. As mais importantes sendo o amor e a compaixão.

Infelizmente, os homens estão se tornando mecanicamente máquinas de repetir slogans, e tribos high-tech. Algumas tribos dizem que por alguns diplomas e estudos, tem uma compreensão maior do mundo. Mas na minha percepção, são poucos os homens que ultrapassam seus preconceitos, suas idéias preconcebidas alimentadas pelo engenho social, para encontrar ações e experiências nas palavras que tanto defendem. São poucos os homens inteligentes. O homem inteligente é aquele capaz de em um instante largar todo o seu arsenal de máscaras e carapuças para experimentar uma idéia que lhe pareça inusitada, ou contraditória. Inteligência é experiência.

Ao invés disso, tomamos como inteligência ser parte de tribos. Tem as tribos que refutam livros, ou opiniões. Tem as tribos que se apegam a dogmas religiosos, a códigos e rituais. Tem as tribos que professam paz e amor ao mundo, desde que seja um mundo conformado as expectativas geradas pela sua imaginação. E tem as tribos que se dizem possuidoras do conhecimento, da reflexão, e por isso prontas a empurrar violentamente goela abaixo dos outros suas idéias e opinões. Para mim todos se parecem. O pacote é diferente, mas a goiabada é a mesma.

Quantas mais pessoas terão que ser excluídas, sofrer, e morrer para abandonarmos o nosso apego a preceitos firmes e intolerantes? Quantos mais caixões terão que ser escondidos - porque a hipocrisia é tanta, que se não vemos os caixões, as mortes nunca aconteceram - até concluirmos que não existem sistemas, mecanismos, idéias que justifiquem a violência com que as impomos no mundo? Sim, existem certas coisas melhores que as outras. Democracia é melhor que autoritarismo. Mídia independente é melhor do que conglomerados gigantes que se curvam a um governo democrático. Só que impor isso violentamente nos outros é pior do que tudo. Ainda mais quando isso acontece não para o bem dos que são impostos estas idéias, mas para satisfazer o nosso senso de saber o que é bom para o resto. A egolatria é a grande armadilha da vida.

As revoluções foram revoluções. Não são selos de qualidade, ou certificados de garantia que podemos usar para brandir nossos ideais para o resto do mundo. Eu acredito pessoalmente que se aqui onde moro todos fossem mais preocupados em melhorar sua interação com o meio através de amor, compaixão e abandono da hipocrisia, o resto do mundo estaria já automaticamente melhor. Mesmo uma pequena mudança pessoal, é muito mais benéfico ao mundo do que as grandes guerras e revoluções que queremos empurrar goela abaixo dos outros.

Como já disse antes, obviamente existem situações melhores que outras. Uma democracia é melhor do que uma ditadura sanguinária. Mas o melhor mesmo é abrir nosso espírito, nosso coração para cada indivíduo, independente de suas idéias, opcões, nacionalidade. Abrir o coração por simplesmente reconhecer o direito e o amor pela vida. A vida vale tudo. Aceitar um iraquiano, um afegão dentro da nossa vida, como parte de nossa família, mesmo com suas idiossincrasias e diferenças, é a transformação necessária. Quando o homem estiver disposto a aceitar tudo e todos, as conexões se formam naturalmente, e a força destas conexões transforma o mundo e a sociedade. Não foi esta a mensagem de Cristo, que promoveu uma das maiores transformações do ocidente?

Aqueles que se dizem cristãos, e eu sou um porque sou fã de Cristo, deveriam abrir os olhos para as palavras de Jesus. e ve-las não como filosofias e preceitos da diferença, mas como instruções práticas para a vida. Algumas instruções são datadas porque dependiam de situações da época onde viveu, mas a maioria - daí ele ser um mensageiro - são válidas. E antes de buscar conforto nelas, estas palavras tem que ser vistas como facas afiadas capazes de cortar as partes mais firmes da nossa personalidade. A bíblia é um guia para a viagem ao mundo interior. É nesta viagem, em que a maior transformação do homem acontece, de mais um homem para Jesus Cristo, para o encontro com Jesus Cristo. Então, se seguimos este exemplo, cada palavra, cada opinião que temos, deve ser uma lâmina que provoca a transformação interior, que corta o ego e a personalidade, nos deixando simplesmente amor e compaixão, e os olhos iluminados para a vida.

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