ODE AO IMPÉRIO

Já que temos um ministro cantor que viaja o Brasil fazendo shows, e quando dá tempo ajeitando projetos culturais, gostaria que ele cantasse a “Ode ao Império”. Eu descobri esta ode, remexendo livros velhos da biblioteca aqui em Berkeley. Não estava datada, nem mencionava o autor. E a tradução livre, é por minha conta…

Majestoso legado nacional de unânimes conquistas
A ele abençoaram o mar, a terra, o céu e as estrelas
Em seu peito carregava o brasão universal
Em seu coração brotava a semente da fé cristã
Ao grande imperador ilustre governante universal!

Nas grandes cidades, em suas ruas, a ordem repousava
Nos largos ombros, na seriedade de suas atitudes, o reinado repousava
Senhores escravos e senhores da indústria,
Mestres de obras, e capatazes das fazendas,
Todos a ele se curvavam, o último governante universal!

Se soubesse do fim que seu império levaria
Se soubesse dos homens que lhe sucederiam
Se soubesse das grandes injustiças do futuro
Se soubesse que todo homem cairia sem moral
Por mais 100 anos teria vivido o governante universal !

Podres, fétidos, inconsequentes ratos da república
Trouxeram consigo a corrupção do palácio
E nos saguões da elite as tardes de sopa de alho*
E as tramas contra o povo e contra a nação
Todas sempre feitas em nome da população

Se delas soubesse o governante de firme punho
O sereno e justo governante universal
Que educado fora em todos conhecimentos
Que ao império trouxera o respeito mundial
Teria ele brandido sua espada desafiando todo mal!

E a ignorância que reina no novo império
E os governantes que teimam bêbados e sem vergonha
Que erguem palácios e monumentos a amigos e familiares
Que condenam o nosso povo a servidão
Servidão mental, servidão da alma, servidão espiritual!

Se delas soubesse o governante corajoso
Teria bradado no leito de sua infeliz morte
Que todos eles sejam condenados a chafurdar na lama!
Que todos eles sejam condenados pela loteria da vida!
Que o inferno caia sob suas cabeças e Deus ilumine o reino!

E se delas soubesse o governante universal
Da república do café se ergueriam as máquinas da nova era!
Das massas de homens de fé sem emprego, sem futuro
Se ergueriam os nobres das novas famílias!
E o reino em grande harmonia veria a luz de um novo dia!

E os churrascos em chá se transformariam
E as partidas de futebol em grandes bailes
E a ignorância em grandes bibliotecas para todos
E os aviões presidenciais em belos jardins públicos
Para comemorar o fim dos vagabundos universais, estes políticos amorais!

E toda corrupção, violência e estupidez poderia ser doada
A todos aqueles que opinaram pelo fim do último monarca
E em seu lugar colocaram, os despóticos ignoranimus
Uma populosa e nova raça, criada por salafrários
Somente para manter elevados os seus honorários!

O fim da luz do monarca nos colocou na escuridão
E agora a Deus pedimos, o retorno do último governante
Pois o império caiu, a civilização já ruiu, e o conhecimento sumiu
E o Brasil é agora, um monte de tribos ignorantes
Que sem a luz de um governante, não terão paz adiante

E a Deus pedimos o fim das palavras egoistas
E as consequências de toda forma de preguiça
Que domina as classes intelectuais do reino nacional
E que Deus a eles ilumine, acordando os ignoranimus
Para despertar novamente, o imperador universal !

*A sopa de alho parece ter sido a pizza da época. Depois de cada julgamento onde nobres e políticos eram auto-absolvidos, era costumeiro oferecer-lhe uma sopa de alho, para “afastar os maus espíritos e toda má sorte que o trouxe a aquela situação”.

[Tradução livre, “Poetry in the Brazilian Empire”, autores desconhecidos, Rio de Janeiro, ed. Girafa, 2020. Translated 2025]

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