Relativizar tudo é um mal da sociedade moderna. Porque um indivíduo desta sociedade acaba por relativizar seus sonhos e ideais. Por outro lado, ignorar certos padrões, e abandonar completamente o relativismo, leva o indivíduo a viver num mundo falso, a aceitar ilusões.
Então, por exemplo, não devemos relativizar a pobreza no Brasil. Por outro lado, devemos relativizar a qualidade das pessoas que tomam decisões no país. Nunca devemos relativizar a alegria que sempre encontro entre os brasileiros. Mas certamente devemos relativizar a qualidade da educação do brasileiro hoje.
Da mesma maneira, um manual relativizando as atitudes patéticas dos “tomadores de decisão” de Brasília precisa ser escrito com urguência. Discussão política séria no Brasil so acontece em charges e páginas de revistas de humor. Enquanto isso, cada um faz o que quer, acabando com o fiapo de soberania do país. É isso mesmo, país que é liderado por babacas, não pode ser soberano. Uma população que engole as imbecilidades que são cuspidas diariamente no noticiário é escravo da sua própria fraqueza… Não devemos relativizar o nosso lugar no planeta.
Infelizmente, a sociedade brasileira relativiza algumas idéias errôneas. Relativizamos o lugar e a função dos diretores nacionais. Me dizem que político é assim mesmo, que poder corrompe, que na lama so se encontra porco e tudo mais. A maioria das pessoas educadas parece satisfeita em conquistar uma boa educação, e nos momentos mais iluminados, demonstrar o que sabe fazendo análises infindáveis sobre o país (exatamente como esta). Mas sempre terminam na sinuca de bico relativista: não há saída, porque político é assim mesmo, poder corrempe na lama só se encontra porco. Implícito no discurso está: ”Então, realtivo a isto, estamos onde deveriamos estar”…
Por outro lado, esta mesma classe pensante vive na ilusão de que estão no mesmo patamar que os intelectuais pensantes de outros lugares do mundo. Ledo engano. No Brasil a grande maioria da classe pensante regurgita e rumina, mesmo quando diz produzir. Em outro países, encontro aqui e ali, idéias originais de intelctuais pensantes. E o melhor encontro idéias e ideais que foram levadas a cabo. O intelectual brasileiro parece satisfeito em ser aceito e equacionado a algum ”standard internacional”. Raramente tem a preocupação de produzir algo seu, verdadeiramente original. E o pior, isto leva a uma classe pensante destituída de originalidade, inerte e inoperante. Os grandes sonhos desta classe pensante são conhecer a Europa, discursar em Sorbonne e claro, visitar a Disney sem contar para ninguém…
Então, relativos a responsabilidade e inteligência de nossa classe pensante, o Brasil parece ter chegado ao seu limite. Esta situação é imutável? Acho que não. Basta os jovens brasileiros perceberem que é muito mais importante a marca que você deixa no mundo, do que a sanção de algum intelectual inoperante ou alguma autoridade estrangeira. Basta se sentir envergonhado e profundamente responsável, como me sinto, pela situação patética e anêmica do país. Basta deixar entrar no sangue que enquanto o país for uma bosta, e nossos filhos não tiverem garantias de uma vida decente, não adiantam laureas e sucessos de momento, porque tudo vai ser perdido nas areias do tempo. Um país sem educação, saúde, comunidade e sociedade, é um país sem memória.
E o mais importante, acho que temos que quebrar esta necessidade nacional de cada individuo querer ser sacionado por alguém. Ou será que a sanção de um Dr. Henrique Meirelles faz de alguém um economista melhor? Ou será que a sanção de Gauss torna alguém um matemático melhor? Não, em geral quem busca sanção perde criatividade, imaginação e se torna fútil… E no fim das contas, passa a relativizar tudo o que pode ser feito e mudado. Que é justamente a única coisa que não tem limites neste mundo.