Parece que acabou de ser aprovado pela Russia, o tal protocolo. Com isso, ele poderá entrar em vigor, assim que o parlamento russo der seu veredito final. Com os EUA fora, os países que partcipam do protocolo correspondem a 61% das emissões do mundo. Os EUA entrariam com outros 37%…
Se o protocolo ideologicamente representa um grande avanço na preservação do nosso planeta, em termos científicos existem muitas controvérsias sobre a efetividade da proposta, e sobre os (supostos) benefícios. Este inclusive, foi um dos argumentos para os EUA se recusarem a aderir ao protocolo, e para a demora da Russia em assina-lo. No fim das contas, o isolamento político de Putin, está o forçando a buscar apoio na União, já que parece pouco provável que Bush dê algum apoio político, dadas as posições russas na situação do Iraque.
Ao contrário dos muitos cientistas, eu vejo o protocolo como o primeiro grande acordo feito pelo mundo para a preservação do planeta. A intenção já é importante. Para algumas coisas, a intenção é mais importante do que uma decisão perfeita. Inclusive, pensamentos assim avalizaram a guerra dos EUA no Iraque. Neste caso, a intenção é clara: uma dura e anti-lucrativa rota em direção a redução de emissões. Inicialmente anti-lucrativa, como por exemplo se provou o controle de emissões de veículos na California. Graças a aquela lei, hoje nos EUA se economiza combustível, pois os carros se tornaram mais eficientes.
O homem moderno ainda prefere idéias ideologicamente importantes que segregem ao invés de agregarem. Um acordo sobre o meio ambiente agrega, uma vez que é muito difícil discordar sobre a essência da questão: a necessidade da sociedade moderna começar suas considerações sobre a preservação de onde se vive, do planeta. Esta idéia está na essência da razão para vivermos em sociedade.
Infelizmente, a sociedade moderna atrelou dois conceitos independentes: riqueza e satisfação. Talvez como mera consequência do sistema, conceitos que não são relacionados, se tornaram intimamente relacionados. A maioria das pessoas hoje entende a satisfação como sendo consequência de algum grau de riqueza. A própria sociedade foi construída em torno desta idéia, provendo “o melhor” para “quem tem mais”. Quando se fala em preservação, se por um lado ele é parte da essência do conceito de sociedade,aparentemente vai contra este conceito de riqueza-satisfação. Portanto, imediatamente gera reações dos indivíduos que sentem seus direitos sendo sacrificados, em nome de um ideal vago e futuro.
Eu acho que preservar o meio ambiente atende um aspecto de satisfação do ser humano. Estar num lugar tranqüilo, limpo, onde se pode ver a lua e as estrelas, traz satisfação, a despeito da riqueza. A conexão entre o homem e o todo fica mais clara. Claro que tal conexão se dá em meio a uma cidade, com buzinaços, fumaça, e tudo mais. Afinal, tudo é parte da realidade. Mas imagino que para a maioria das pessoas, assim como para mim, estar fora do meio confuso e barulhento, traz paz de espírito, tranqüilidade e frescor. A mente se silencia por alguns instantes, e podemos relaxar. Assim como no silêncio do Teatro Municipal. Portanto, deste ponto de vista, a riqueza trazida pela preservação ambiental se traduz em menos despesas para ser feliz, em menos custos de saúde para o governo, etc… Quem mede estas coisas?
PS: Engraçado, como em “Machine Learning”, uma área de pesquisa de computação, a idéia da suboptimalidade do algoritmo “Greedy” (ganancioso) para tomadas de decisão, frente a frente a algoritmos que se utilizam de valor futuro descontado, é bem estabelecidada teoricamente e empiricamente.