Problemas existem no sistema de Berkeley, quando um dos melhores alunos do departamento de estátistica foi diagnosticado com problemas severos de ansiedade e conseqüente arritmia. Ele está sob medicação desde quinta. Conversei com ele ontem, e disse estar preocupado, muito chateado e deprimido. Ao menos ano passado no início do ano, ainda me parecia um rapaz muito feliz, apesar de preocupado. A razão: ele trabalha com um dos grandes professores do departamento, mas não consegue fazer progresso em seu problema de Probabilidade. Me disse que está sentindo ausência de orientação, e o pior incapaz… O que é impossível, já que todos por lá sabem do seu imenso potencial. Seu orientador, uma ótima pessoa, é daqueles que acredita que a melhor orientação é a desorientação…
Talvez, a ausência de bons orientadores não impeça alguns alunos de exibirem seu talento. Mas estou começando a ver, que muitos outros alunos muito talentosos se encontram em dificuldades, especialmente em áreas bem desenvolvidas como Probabilidade, onde boa parte dos problemas interessantes são excessivamente difíceis. O sistema de Berkeley ainda não acordou para este fato. Em alguns departamentos já fizeram mudanças como montar grupos de alunos para trabalharem juntos em problemas, e dividir o crédito depois. A maior dificuldade é mesmo a divisão de crédito, que acaba se tornando uma batalha. Em outros casos, criaram com relativo sucesso “reading groups” que envolvem professores e alunos em leituras de papers da área. Mas muito lentamente o sistema de pesquisa na área de exatas ao menos, parece acordar para o fato que sem boa orientação e colaboração é muito difícil produzir algo interessante no cenário atual. Esta semana descobri que metade da turma de 2002 já deixou a universidade, entre eles alguns alunos muito bons, e resolveu ir fazer outras coisas… A estatística em anos anteriores era de cerca de 30%. O departamento ainda não decidiu o que fazer, mas criaram um “grupo de trabalho” para pensar no assunto. A última recomendação do “grupo de trabalho” era acabar com a ídeia de “notas de corte” e investir mais em projetos de pesquisa para alunos de primeiro ano. Acho uma boa idéia…