Outros mitos que se propagam, ao menos aqui em Berkeley:
*”Eu fui a Salvador, e vi como o Brasil é um país racista. A minha ‘mãe’ de pele escura disse que sua família tinha vergonha de sua cor. O Brasil tem muito racismo” - infelizmente quando se pergunta, racismo da maneira como houve e há nos EUA? Não exatamente. Então como? Seria classismo? Ninguém sabe me responder…
*”60% da população brasileira é negra, não é senhor ministro” - pois é. Se fosse tão claro assim, acho que não tenho dúvidas que não haveria o racismo da forma descrita. Mesmo que a minoria tenha o “controle econômico”, as relações de raça seriam dominadas pela maioria negra… Estes “60% negros” seriam da mesma forma que existem “20% negros” nos EUA, onde o mulato, ou o filho que só tem um pai negro, não é considerado negro, não é aceito pela comunidade afro, e vive num mundo a parte. No Brasil não existe esta forma de discriminação… Ou são 80% de negros, de várias cores do arco-íris, ou é difícil definir o que é a massa “negra”. Não seria o caso de existência de inequidade econômica? Talvez menos “brancos raça pura” sejam pobres por serem imigrantes - já que os imigrantes sabidamente tem sucesso econômico? É complicado… Mas “60%” não é “negro”.
O debate é importante, ninguém questiona isso. A preguiça intelectual é que é deprimente. A preguiça intelectual, querendo utilizar modelos e dogmas preexistentes, para uma situação diferente e complicada como a do Brasil, aliada pela necessidade da pseudo-esquerda brasileira de encontrar algum desastre polcor no país para se perpetuar no poder, transformar este tema do racismo em um verdadeiro circo sem pé nem cabeça. Talvez seja minha cabeça de engenheiro. Mas acho que não estou sozinho nesta opinião do circo…
Por incrível que pareça, o Gilberto Gil foi de quem ouvi uma ou duas sugestões sensatas sobre o assunto em sua palestra. Disse que relação de raça não se resolve por intervenção estatal (!!!), e que precisamos criar um ambiente na sociedade onde todos possam expressar suas idéias, defendendo para isso o uso da arte e cultura.
PS: Uma outra questão legal, mas que acho que deve ter sido respondida muitas vezes, é o caso de autores como Machado de Assis ou o livro “A Moreninha” do Joaquim Manoel de Macedo. Como explicar isso no Brasil? É certamente uma situação peculiar….