ARTIGOS?!

O site “Diálogos contra o Racismo”, com sua mal formulada campanha “Onde você guarda o seu racismo?” - observação do Na Cara do Gol, também sofre de outro mal: pseudo-ciência. Antes que os PolCors de plantão me acusem de racista, a pseudo-ciência não se refere a se existe racismo ou não no Brasil. Se refere sim, a seção intitulada “Saiba mais sobre o Racismo”. Como eu quis saber mais, fui dar uma olhada, e em meio aos documentos usais, me surpreendi encontrando dois artigos apresentados em congressos de desportos (Metáforas da discriminação no futebol e A linguagem racista no futebol brasileiro). No entanto que grande decepção são ambos artigos. O segundo é praticamente uma cópia do primeiro, cujo autor provavelmente escreveu para satisfazer o “publish or perish”. De qualquer forma, o início do artigo já assusta quando o autor avisa que reinterpretar a história, segundo Marx, é válido para defender seus pensamentos. Pior, o autor diz que mesmo que a reinterpretação seja inconsistente, está valendo pois ele deseja falar do racismo… Depois, o “grande exemplo” de racismo é que Barbosa foi acusado pelos jornais pela perda da Copa de 50. Era um goleiro negro, e disseram que ele “tremeu nas bases” e outras coisas mais. Depois utilizam as críticas a Zico e Ronaldo nas copas posteriores, como prova do “sutil mas profundo racismo no futebol brasileiro defendido por xyz”. Ronaldo é só chamado de amarelão numa reportagem. Aparentemente isso é melhor que fazer xixi nas calças e tremer nas bases… A grande deficiência do artigo é o tipo de argumentação pseudo-científica utilizada. Um texto de 1950, e outro de 1998 não necessariamente podem ser comparados para se averiguar existência disso ou aquilo, antes de se considerar uma comparação linguistica. Pior, é utilizar parágrafos avulsos de jornais desparatados, sem um panorma de várias publicações da época… Racismo certamente não é uma decisão editorial ruim ou um repórter incompetente.

Minha crítica não é nem a premissa do artigo, mas sim a estrutura e conteúdo. Ao invés de uma análise crítica, se encontra uma análise enviesada, mal escrita, inconsistente, e que muitas vezes derruba seus próprios argumentos (como por exemplo, mostra que muitos técnicos de futebol e colunistas esportivos defenderam Barbosa). Não seria o caso de investigar escolas mirim e infantil do futebol, onde longes da mídia, podemos verificar a linguagem utilizada? Como explicar Andrade, um negro, como técnico do Fla Júnior? Deixa para lá… Para terminar uma espécie de análise utilizada no artigo:

O jornal O Estado de São Paulo em 18 de julho de 1950(2), após ter criticado contundentemente o lateral Bigode, diz o seguinte a respeito de Barbosa:
“Barbosa por sua vez, pouco trabalho tendo comprometeu seriamente o quadro (…) No segundo ponto, então, sua falha chegou ao cúmulo. Se permanecesse parado onde se encontrava a bola teria batido nele e voltado. Fez, porém, o inacreditável: numa bola atirada sem pretensões, de situação dificílima, atirou-se ao chão quando ela vinha a meia altura. E foi coberto vergonhosamente” (p.9).
Esta crítica utiliza termos que, de forma dissimulada, objetivam diminuir o goleiro Barbosa como pessoa ao dizer que sua falha chegou ao cúmulo, que ele fez o inacreditável, e que foi coberto vergonhosamente.

PS: Faltam artigos interessantes e reinvigorantes sobre o assunto raça no Brasil. O que se vê são militantes e ativistas que fazem questão de encontrar “racismo” estilo guerra de secessão em todas relações sociais e atividades brasileiras… Imaginem agora que o BRasil foi um país, onde mesmo antes da abolição da escravatura, existiam escravos que compravam sua liberdade. E depois se utilizavam de outros escravos em suas lavouras… É complicado não?

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