VIVER COM LIBERDADE

Você seria capaz de viver com liberdade? Como seria a sua vida, se você soubesse que carma, paraíso/inferno são conceitos criados pela sociedade para controlar seus membros? Que ser caridoso, generoso ou “bom” não lhe compra nada no futuro? Que existem experiências além dos sentidos? De que “ajudar o próximo” começa por ajudar a si mesmo? Que sempre existirá uma grande parte da vida incompreendida por si próprio?

Inicialmente estas perguntas parecem mais uma retórica new age. Refletindo um pouco, estas perguntas estão no cerne da vida de muitas pessoas. A vida é uma coleção de experiências. Algumas experiências são típicas, e outras diferentes, atipicas. Um exemplo comum de experiência além dos sentidos, é descobrir algo novo sob sua própria perspectiva, como resolver um teorema de dever de casa. Ou ainda, experimentar algo desconhecido, com uma mente aberta, como por exemplo, comida indiana ou um novo esporte.

Os conceitos de paraíso, carma, inferno existem para regularem nossas experiências. São mecanismos para previnir ações impensadas e fora de linha com o desenvolvimento de uma sociedade saudável. Quando levadas ao extremo, perdem o propósito e se tornam a neurose e morte dos membros da sociedade. Exatamente como qualquer lei. A lei é um mecanismo de controle, que quando levada ao extremo, mesmo que tenha justificativas plausíveis, cria neuroses, e destrói todo semblante de harmonia e paz na vida das pessoas.

Para se viver bem, basta se viver com inteligência. A inteligência de refletir sobre atos e consequências e para ter coragem e buscar novas experiências que sejam saudáveis para o corpo e a mente. Um pessoa inteligente e egoísta é capaz de reconhecer no seu próprio egoísmo o fruto do seu sofrimento e provável futuro tormento mental. A inteligência também é capaz de reconhecer quais são nossos problemas e dificuldades, assim como nossa capacidade e pontos fortes. Uma pessoa inteligente digere experiências sem torná-las uma obsessão.

Mas como a inteligência pode gerar as idéias que muitas destas leis induzem, como compaixão, que a longo prazo beneficiam a sociedade? Uma pessoa inteligente entende que a única maneira de ser feliz aqui e agora, é viver o presente, sem antecipar o futuro, e deixando o passado para trás. Entende também que ao dividir experiências com amor e compaixão, a sua própria vida se torna mais alegre, simples e feliz. Sim, todos temos que resolver nossas próprias dificuldades, mas as experiências de outros podem ser sugestões do que tentar e do que evitar.

A inteligência é também capaz de nos manter completamente abertos a novas experiências. Observando minhas ações e idéias, eu estou aprendedo a ver onde ajo com preconceito, e onde neuroses aparecem por idéias que foram cristalizadas sem se basear na realidade. O medo induzido pelo medo de morrer, associada com a pressão das leis e dos “templates de vida” apresentados pela sociedade, certamente é uma de minhas maiores fontes de neurose.

Usando a inteligência podemos identificar quais desejos e idéias são verdadeiramente importantes para nós, e quais são ruído ambiente, induzidas pelos outros, ou por nossos próprios medos e temores. Me parece que quando tentamos satisfazer nossa verdadeira natureza, somos mais felizes e tranqüilos, do que quando satisfazemos as idéias que os outros, inclusive nossos pais, tem sobre nós. Melhor também do que satisfazer idéias geradas por “leis”.

E finalmente, a coisa mais bonita que a inteligência pode trazer é a capacidade de voar, apesar de observar nossa própria dor e incerteza. Se você tenta compreender a raíz delas, vai se sentir confuso, pois sem dúvida a raíz é nossa própria personalidade. Por outro lado, aceitando todas fraquezas,se você ainda tenta experimentar a vida, o mundo, o amor, a alegria, a natureza, as idéias, sem se cobrar muito, aceitando o destino onde a vida nos leva, seja ele bom ou ruim, como consequência temporária, você pode voar livre. E ouvi uns dias atrás que fomos todos feitos para voar…

PS: A inteligência a que me refiro, é a inteligência natural de todas pessoas. Eu acho que todo indivíduo corajoso o suficiente, tem inteligência suficiente para entender o necessário sobre sua própria mente e desejos. A coragem é porque isso pode induzir tristeza e depressão, e uma urgência para nos adequar. Com coragem e paciência esta urgência some, e o que fica é muito bom.

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