TA STRIKES BACK

Uma greve dos assistentes de ensino, ou de parte deles ao menos, em Columbia e Yale já deu o que falar. Parece que vários alunos de pós-graduação de ambas universidades promoveram uma greve conjunta para clamar por planos de saúde e salários melhores para os Assistentes de Ensino. Mas o maior escândalo foi mesmo o apoio da CUT brasileira para a greve.

Eu já trabalhei como assistente de ensino aqui em Berkeley. Realmente não é dos melhores trabalhos, e você gasta um tempão corrigindo provas e deveres de casa, além de ter que ensinar duas seções por semana. Somos pagos para trabalhar 20 horas por semana, e minha estimativa é que na média acaba-se trabalhando cerca de 12. Assim mesmo, como o salário é baixo, a perspectiva não é das melhores.

Por outro lado, prefiro a situação atual com vários TAs, e todos ganhando um pouco menos, do que a proposta alternativa que já fizeram lá no meu departamento: menos TAs e todos serem cobrados trabalhar 20 horas. Teoricamente somente poderíamos fazer 2 cursos de PhD no semestre de TAing, mas mesmo para isso há flexibilidade.

Para os alunos internacionais aqui em Berkeley as vezes a situação é difícil, mas para a maioria vive-se confortavelmente sem frescuras. Os casados sim tem dificuldade, afinal o que recebem mal cobre o custo de se ter um apartamento próprio mais a alimentação.

Mas todo este bla-bla-bla foi só para mostrar que a maioria destas greves dos “assistentes de ensino” é promovida por uniões de estudantes, e boa parte dos TAs não tem sequer a menor idéia do que está acontecendo. Eu tiro pelo meu departamento, que em 2002 teoricamente teve uma greve para rediscutir o acordão para pagar health insurance para os TAs. O acordão saiu, menos pela greve e mais porque houveram ameaças judiciais no caso…

Acho muito bom os alunos de Columbia e Yale exigirem seus direitos. Mas tomara que negociem e consigam um acordo justo, ao invés de fazer com que reduzam o número de TAs, e por conseguinte o número de oportunidades para os alunos, especialmente internacionais. Tirando pelo meu departamento, eu sei que muitos alunos internacionais se sentem recompensados de estar em Berkeley, enquanto que muitos americanos ficam meio jururus de terem que trabalhar tanto por estar aqui… Para uns, o paraíso, para outros o inferno.

De qualquer maneira, como critério de comparação, trabalhando como TA por aqui, se divide um apartamento com tranquilidade, comendo bem e fora diariamente, e ainda se economiza o suficiente para uma viagem ao Brasil no fim do ano…. A CUT se quiser poderia apoiar uma greve dos alunos de doutorado do Brasil, que andam recebendo migalhas. Mas infelizmente, a demagogia aí é diferente: no caso a CUT apóia o Lula.

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