QUESTÕES DE VIÉS

Muitas coisas na vida são uma pequena questão de viés. Um exemplo: na hora de criticar alguma coisa, escolher as pessoas menos capazes de proferir uma opinião qualificada a respeito do assunto para contra-argumentar. Eu noto cada vez mais uma avalanche de críticas as religiões e as instituições religiosas. Intelectuais em jornais, programas de entrevista no rádio e professores em sala de aula massacram sem piedade qualquer conceito que tenha saído da boca de um religioso, como se toda idéia vindo de um padre católico fosse ou óbvia ou babaca.

O pior, para defender suas posições usam do argumento barato e batido de colher respostas das pessoas que se sentem ofendidas pela crítica. Mas em geral são leigos, freqüentadores da igreja ou algum padre escolhido ao acaso. Obviamente muitas destas pessoas, assim como muitos dos anti-igreja, não são capazes de argumentar ponderadamente sobre o assunto. Acabam parecendo ou patéticos ou fanáticos, condenando ainda mais a pobre religião (”Viram só, este tipo de gente jamais poderia mesmo ter boas idéias”).

Este expediente, escolher o viés, é tosco, antiqüado e no fim das contas acaba piorando a vida de todos. Do crítico, que não tem um argumento inteligente para contrapor o seu gerando novas idéias, ao público em geral que começa a seguir como cordeiros na direção do viés. Na questão da religião, por exemplo, chegamos ao ponto de viver em uma sociedade onde uma pequena parte das pessoas, especificamente classes intelectuais que habitam determinadas universidades, terem a certeza de que todos que pensam em espiritualidade ou seguem algum princípio religioso ou alguma religião são bestas ignorantes e muhajdins em potencial. A coisa é tão forte, que muitas pessoas tem até vergonha de dizer que vão a igreja, ao templo ou a mesquita. Não só isso, muitos sabem que se admitir tais atos falhos terão mesmo seu futuro comprometido devido ao “group think” de certas instituições.

Bom, felizmente, vez por outra aparecem pessoas inteligentes para argumentar e contraiar o absolutismo vigente. Um exemplo recente é Reza Aslan, com seu livro “No God but God”, que fala das raízes do islamismo e aponta direções para reduzir as tensões entre o islamismo e o cristianismo. Seria ótimo ver um debate entre ele e os vários críticos de religiões, pois afinal não seria a lavada que costuma ser… Tudo uma mera questão de viés.

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