SOBRE ORIENTE MÉDIO E IRAQUE

Para quem se interessa por política externa, policy, e entender melhor o que está acontecendo no mundo, nada melhor do que ouvir palestras aqui. São palestras das mais variadas, de pessoas envolvidas com os processos de decisão das regiões ou culturas sendo discutidas. Recentemente ouvi duas das melhores análises sobre o que está acontecendo no oriente médio, sem os usual viés de partidos políticos ou da idéia “oriente” contra “ocidente”. Uma é do General Anthony Zinni, que apresenta uma análise clara e detalhada do que ele entende sobre os processos democráticos que estão começando a acontecer no Oriente Médio. O General já trabalhou como enviado especial para o Oriente Médio durante o governo Bush. Ele fez duas observações inesperadas. A primeira é que na opinião dele, as duas eleições mais expressivas da transformação ocorrendo na região foram as eleições na Indonésia e na Arábia Saudita. Além disso diz que os sucessos das escolhas feitas por Líbia e Paquistão de um lado, que escolheram seguir o alinhamento com o ocidente, e com os EUA em especial, e Síria e Irã que escolheram um caminho próprio, irão determinar o destino da região. A outra palestra é de Reza Aslan sobre a evolução do Islã.

Este programa ativo de palestras da organização World Affairs Council, que não tem afiliação política - ou seja apresenta idéias do espectro inteiro, é mais um exemplo de como a informação e idéias continuam sendo discutidas nos EUA, de uma maneira que raramente acontece no Brasil. Há 30 anos quase diariamente se realizam palestras gratuitas sobre os mais diversos assuntos, e os experts se dispõem a 30 minutos de perguntas e respostas para o público. Outra coisa incrível, enquanto estive aqui nos EUA já assisti mais palestras de políticos e intelectuais brasileiros, do que durante os 6 anos em que estudei na UFRJ. A melhor palestra na UFRJ, foi a previsível palestra de Noam Chomsky, que continua sendo convidado por claramente pensar de acordo com os cânones universitários de esquerda. Ainda falta o hábito de criar um ciclo sólido de discussões sobre os assuntos de interesse nacional e internacional. O que sinto que se faz no Brasil é simplesmente opinar, e esperar que as pessoas se arrigimentem para um lado ou outro. É raro, raríssimo encontrar discussões baseadas em pessoas experientes ou em idéias de todo o espectro.

Se vocês acham isso uma futilidade em termos de política nacional, existe um outro lado que não é nada fútil: transforma o aluno de mero burro de carga de votos a um ser pensante. Ouvir de pessoas inteligentes, com opiniões que se contradizem, faz você pensar, e muitas vezes inspira a seguir idéias em uma área ou direção inesperada. Ou seja, cria um conjunto de pessoas capazes de pensar,e o mais importante, decidir baseados em idéias e discussões, ao contrário de esquemas pré-fabricados de ideologias. Para quem critica os EUA por isso, se engana quem acha que (1) tudo sempre foi como hoje com o Bush e o mais importante (2) que os vários indivíduos envolvidos com decisões nos vários níveis do governo são meros papagaios. Existe muita vida inteligente na política americana, interna e externa. Muito mais do que na brasileira, para uma população de aproximadamente o mesmo tamanho. Talvez seja o caso de trabalharmos em nossos pequenos universos para trazer idéias e discussões com pessoas experientes para este círculo.

Porque não convidar alguns destes palestrantes para o Brasil, da mesma maneira que repetidamente a UFRJ convida Noam Chomsky?

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