OS NEO-MOVIMENTOS
Estes neo-movimentos brasileiros, dos deploráveis neo-esquerdismos regionalistas, aos neo-conservadores jovens, são o complemento perfeito para o mundo retórico do brasileiro. No Brasil fica-se no bla, bla, bla. Muito se ouve dos neo-conservadores jovens apoiando e levantando a bandeira norte-americana. Mas quantos se dispõem a vir morar aqui e ralar um pouco para aprender o que realmente faz dos Estados Unidos, os Estados Unidos?
Da mesma maneira, muito se fala do humanismo superficial dos regionalistas, mas quantos se dispõem a arregaçar as mangas e propor opções práticas para lidar com os problemas da escola do próprio filho? Ou no seu trabalho? O brasileiro gosta de ter opinião, mas não gosta de ter que dar sangue por ela. Ou ao menos os jovens brasileiros andam fazendo isso. Uma hora a retórica cansa.
Este blogue mesmo é cheio de argumentos. Mas não valem de nada a não ser que um dia eu resolva agir e tentar mudar alguma coisa, seja para mim, seja para o país a quem devo uma parte de minha formação. É muito fácil se esconder atrás do escudo das palavras, dos artistas de Hollywood, de políticos europeus, de um bom vinho francês e de livros de Dostoiévski. Tão fácil quanto trazer a tona Einstein, Peito de Peru, Millor e qualquer outro intelectual moderno em uma discussão.
Não é obrigação de ninguém mudar coisa alguma. Este é o meu ponto de vista particular. Por outro lado, pessoas que tem opiniões muito fortes, mas que não planejam mudar coisa alguma deveriam se manter calados, porque proferir opiniões fortes sem agir a favor delas gera hipocrisia. E para mim, a hipocrisia é sem sombra de dúvida o pior mal do nosso século. Bom, de qualquer maneira…
De qualquer maneira, nenhuma destas linhas faz muita diferença. Iremos todos voltar a dançar a nossa valsa de sempre, e fingir que proferir opiniões mudará alguma coisa, ou que ganha-se algo além de meia dúzia de amigos que concordam consigo. Que quem escreve está louco por audiência, isso é óbvio, é senso comum. Mas que o ego do brasileiro anda tão maltratado, tão em baixa, que até quando já se tem audiência, se escreve para reciprocar elogios. Raramente para construir alguma coisa… Senão teríamos tantas mentes criativas quanto aquelas que escrevem. Pois é isso aí… No Brasil de hoje falta criatividade entre os jovens… Porque? Porque o sistema está quebrado… Só não vê quem acha que a vida se resume a plantar laranja. Quebra tudo!