ZOOFINDIS
No domingo, eu, mero mortal, provoquei o caos. Fiquei dando direções aos turistas sobre como chegar aos pontos turísticos de Mumhaten. Imaginem só, “are you from here”, “yeah, yeah”. Queriam ir para o barquinho da estátua da liberdade, eu conencia irem para o Museu de Arte Moderna. Queriam ir para ver o parque central, eu despachava logo para o lado de mis hermanos.
But, but, o melhor foi ouvir no ônibus para IKEA, quando cedi meu lugar para um sr. professor de Columbia, que ia se sentar mais próximo da sua familia, que “eu não deveria deixar Mumhaten”. Eu ocupado em ir para meu novo assento passei direto e não ouvi. O professor foi atrás, disse “excuse-me, did you hear what i said?!”. “Hum?”, “You shouldn’t leave mumhaten!”. Primeira vez que ficaram chateados porque não prestei atenção num elogio…
—————————
Viver só da cabeça cansa. Sérius mesmo. Eu gosto de meus momentos head-free, em que tomo um sorvete, ouço qualquer música porcaria no-head, ignoro qualidade, prefiro os busters, e despise com todas as minhas forças os comedores de clássicos. Nestes momentos, minha maior diversão é caçar fast-food pela cidade. É uma boa atividade. Já descobri cada lugar.
—————————
Tem gente que faz um escândalo enorme porque come comida italiana com nome e sobrenome. Nada mais repelente. A comida que vem da Itália prima pela simplicidade. Os camponeses queriam cozinhar simples e gostoso. O segredo é ter legumes frescos, uma boa farinha de trigo, umidade adequada, e é claro, the best extra-virgin oil. Se você come carnes, então cortes frescos e com tiras de gordura, de prefs. Pronto, você vai ter um bom prato de comida italiana. Comida francesa é coisa análoga. To falando do que o francês inventou, e não as cópias recentes de fusion asiático.
A coisa mais complicada é sem dúvida comida indiana, paquistanesa e algumas iguarias chinesas. O problema ali é a profusão de especiarias, e a ordem cuidadosa em que devem ser usadas. Senão ficam parecendo estas pastas amarelas, sem textura ou finesse, que o pessoal fica dizendo “curry disso” “curry of that”. Por favor. Quer comer um curry? Pergunte quantas texturas diferentes, cheiros e sabores você encontrou no momento da primeira mordida… Se foi só o que você imagina que é o curry, esqueça. O curry é matrix: é tudo aquilo que não é curry. Simplesmente porque não tem receita. Cada um tem a sua. Bem como o gumbo e o chilly. O chilly sim é uma arte.
E ao contrário dos macacos-da-moda tupiniquins que soltam gritinhos ao experimentar comidinhas da mamma, o chilly é uma arte que merece ser apreciada. O chilly é invenção daqui, com intervenções providenciais dos negros-franceses erradicados por aqui muitos séculos atrás e dos mexicanos que forma enxotados daqui. Um molho de carne, ou legumes, com concentrado westchester sauce, feijões, molho de tomate, e as indefectíveis especiarias. E é claro, como esquecer do molho de pimenta. Não precisa ser apimentado, como por exemplo, com o molho de pimenta Chipotle. Se vocês não sabem, a pimenta não é usada por arder, mas é para dar cheiro camarada. E o chilly tem que ficar horas cozinhando. Cada chilly é um chilly. Até mesmo a mesma receita muda de gosto. A panela onde você cozinha faz diferença até. Ela absorve os cheiros.
O chilly já ta virando menú-degustation em Mumhaten, e daqui a pouco até os bigodinhos estarão lá petiscando. Mas quem for nessa onda, vai perder o melhor do chilly. O melhor do chilly requer esperteza, papo, e paciência. Alguns dos melhores chillies que já experimentei foram em Austin, na casa de um amigo, o do Trudy’s é razoável, em Nova Orleans, mas lá tem que caçar, e sem dúvida no Spanish Harlem/Harlem. Claro, na Califa, o veggie-chilly de alguns pontos berklianos é perfeito. Mas fazer um bom chilly é uma arte… Uma boa combinação é o Chilly-Dog, e dizem que o do Yankee’s Stadium é muito bom. Nunca experimentei.
Mas arrisque, experimente. Saia da rarefação. Eu fico sempre chateado no Rio, porque o nosso público restauranteur é tão conservador, tão sem sal, que raramente* comida internacional de verdade tem chance de se estabelecer. No Rio, ainda se acha o máximo se comer macarrão com molho de trufa. Tá, linguine al truffati. Nada de errado. Eu sou um grande fã. Mas ficar só nisso… Que pobreza. Coisa de gente ignorante. Não querer experimentar é ignoranço.
*Veja só, eu sei dos nihongos, do schezuan chinês e do semi-tex-mex. Mas é pouco. É irrisório. Nem tem garam masala, carripatá, cardamomo, e tantas outras coisas…
——————————-
Amo nossa comidinha, inclusive o indefectível arroz, feijão, batata-frita, salada e uma omelete. Mas morro sem o sambar, sem um currizinho de vez em quando. Por isso to aprendendo de tudo um pouco. Não contem para ninguém, mas quando faço Strognoff, coloco de sopetão, uma pitadinha de garam masala. O pessoal adora, e nem sabe de onde vem o cheirinho… Tá aí, viu só. Tenha sempre seus truques.
———————————
Técnica para impressionar uma garota: Capeletti a la vodka. Flambe o seu molho a la vodka sem vodka, com uma pitada de vodka. Um destes pratos que leva vinte minutos,’tem um nome atraente, e impressiona aqueles não familiares com colocar o pézinho na cozinha. Quem coloca sabe: fazer pasta é das coisas mais divertidas e facéis que existem. O mais difícil é acertar o ponto dos legumes, caso use algum, e da pasta. Mas a Barilla é fácil. Lembrem-se, os legumes, com raríssimas exceções, devem ficar crocantes. Melhor cru e crocante, do que aquela geléia, que normalmente como nos restaurantes daí.
Senão invente… Linguine a la Calabrini : molho pomarolla com presunto e linguine. Ou senão, um que eu já fiz, Fusili Orientale: sobras de fusili com cebolinha torradas em óleo de amendoim e molho shoyiu, Pedacinhos de tofu acompanhando, e cenouras transversais adicionadas a massa bem no fimzinho. Gergelim. Era só o que tinha em casa na ocasião…