UMA CARTA
(Uma carta para Claudia entregar ao filho dela)
Querido filho,
Estava aqui lembrando da última vez que fui a praia com você. Como você gosta de correr na areia, brincar, sorrir, e fazer travessuras. Eu vejo você jogando bola com as crianças na praia, e todos ficam felizes e aprontam das suas também. Estou escrevendo esta carta porque naquele dia no carro, quando paramos no sinal, eu fechei a janela quando umas crianças se aproximaram. E você me perguntou, assim com olhos alegres ainda, mas em dúvida, porque tinha que fazer isso. E uma vez você me perguntou também porque eu as vezes dava dinheiro a algumas crianças na rua. Não respondi na hora, porque tive que pensar em como lhe contar destas coisas.
Você sempre diz que o mundo tem as pessoas grandes, que são como o pai e a mamãe, e as crianças, que são como você. Muitas vezes as pessoas grandes tem as respostas para o que devemos e não devemos fazer para evitar machucar as pessoas, e dar a chance a todos serem felizes. Pois é, algumas vezes, algumas crianças acabam virando gente grande muito rápido. Só que elas não tiveram nem tempo, nem oportunidade de aprender direito as coisas que devemos evitar de fazer para dar chance a todas as pessoas serem felizes.
No mundo nascemos todos iguais no coração filho. Mas nem sempre somos todos iguais na nossa educação. Educação é esta palavra que diz o que vamos aprendendo quando vivemos cada um dos nossos momentos. Quando você joga a bola, e ajuda seus amigos, quando você pede desculpas depois de errar, quando você vai a escola e se interessa por alguma coisa, quando você conversa com a mamãe e pergunta sobre alguma coisa que você ouviu, quando brinca com o pai e quando você ajuda vovó a partir os ovos para o quindão.
Algumas crianças não tem como fazer isso tudo. E acabam virando gente grande rápido demais. Algumas vezes, porque estão tristes ou zangados, ou porque precisam de alguma coisa, e não sabem ir aonde buscar, eles acabam agindo sem educação ou respeito e tiram o direito das outras pessoas de não serem machucadas, de serem felizes também. Elas esqueceram como respeitar o próximo. Sim, estas crianças-grandes também merecem brincar, passar o dia fazendo coisas boas, e indo a escola como você. Mas somos todos, crianças e adultos, responsáveis pelo que fazemos.
Nem todas crianças do sinal são pessoas grandes. Mas nem todas elas são crianças. Como a mamãe não sabe quem é quem, ela fica preocupada que eles e nós acabamos fazendo ou falando alguma coisa que tire a oportunidade de todos serem felizes. Porque filho, até as crianças do sinal e gente grande do sinal, tem seus momentos de felicidade. Eles jogam bola de vez em quando. Dão risadas e contam piadas também. Mas algumas não sabem os limites do que podem ou não podem fazer. Não foram ensinadas. E então, guardo você e eles, cada um com nossas felicidades.
Quando a vovó diz que devemos sempre ser generosos, significa ter um coração aberto para a felicidade. Lembra aquela vez que você ficou alegre porque fez um aviãozinho de papel, ou quando o Robertinho deu a bola dele para você? Isso é uma maneira de ter o coração aberto. Outra é fazer tudo o que você gosta com muita dedicação, respeitando todas as pessoas a sua volta. Evitando fazer algumas coisas que as deixem triste. E caso você faça, sem querer ou querendo, se desculpar depois.
Quanto as crianças que viraram grande rápido, mamãe não sabe direito como ajuda-las. Ela sabe que dar dinheiro só não muda a vida delas. Mas mamãe sabe de uma coisa. Toda vez que ela aprende alguma coisa, ela tenta aprender bem. Toda vez que ela faz alguma coisa, ela tenta dar o melhor de si. Se ela estuda uma matéria da escola, ela estuda com atenção. Se ela tem que fazer um trabalho para o escritório, ela faz o melhor possível. Quando ela dá o melhor de si, o mundo inteirinho recebe o melhor dela. E aí, todas as crianças grandes recebem um pouco disso. Aos poucos, as coisas mudam.
Não precisamos ficar só tristes porque algumas crianças viraram gente grande rápido. Como também nunca devemos aceitar quando uma pessoa machuca outra intencionalmente. Mas com certeza, mamãe sente no coração que a melhor maneira de ajudar estas crianças-gente-grande é fazendo tudo que ela faz bem feito. Sabe filho, como você fica feliz quando o Jorge deixa o pátio do prédio bem limpinho e você pode brincar de patins sem se preocupar com as pedrinhas? Então, ele fez o que ele tinha que fazer bem feito, e você ficou feliz. Então é assim que devemos ser.
Era só isso filho. Sei que você ainda vai viver tantas coisas legais, e vai aprender bem mais que a mamãe. Você vai acabar ensinando a mamãe, e quem sabe ajudando estas crianças-grandes. Mas nunca deixe de ser feliz, ser um pouco criança, e de fazer o que você gosta, fazendo bem feito, e com muito amor e carinho. Sempre respeite as pessoas a sua volta filho, da mesma maneira que elas respeitam você. E nunca esqueça, que não importa quem é quem, quem tem o que, mas todos somos responsáveis pelo que fazemos. E o mundo é um lugar bonito por isso. Que papai do céu, e todos os anjinhos, estão sempre lá cuidando de todos. Um beijão filho, e quem sabe mais tarde eu não tenho uma resposta melhor? Te amo,
Mamãe
June 30th, 2005 at 5:59 am
obrigada ram. Muito, muito, muito obrigada mesmo. Vc fez um bem imenso. .. Deus abençoe você mil vezes o tempo todo.