CPI DO CUECÃO
Um trecho extraído da CPI em andamento agora no Purgatório. Depondo está o “eleitor esquerdinha sem cara” [ESC] acusando de fazer remessas ilegais de boa vontade e ignorância na Terra, prejudicando a população. Também é acusado de fazer parte da banda podre dos que pensam que pensam (mas apenas alimentam, diria o Zélia Duncan). Yama [Y], the destroyer, Deus indiano que representa a morte, e faz juízos, conduz o questionamento.
Y: Vossa Excelência afirma que desconhecia ser ignorante. Mesmo diante de tantas evidências, mesmo depois de observar tanta realidade, tanto choque de verdade, depois de tantas mensagens divinas, como pôde continuar afirmando ser ignorante?
ESC: Nunca pensei que as mensagens fossem para mim. As que eram, nunca entendi. Não sei direito inglês.
Y: Não sabe olhar um dicionário?
ESC: Prefiro não responder.
Y: Porque continuou a dar apoio irrestrito a esquerdália, mesmo depois dela ter destruído toda boa vontade da terra? É sede pelo poder? Ou ignorância?
ESC: Nunca dei apoio a esquerdistas corruptos. Nem ao comunismo. Nem a nada de mau ou errado feito por esquerdistas e socialistas. Nunca dei apoio ao mau. Nunca dei apoio a esta esquerda a que o senhor se refere. Nunca desejei o poder. Só desejo o bem para a Terra e para as árvores.
Y: Então porque lê livros que consomem árvores? (Apontando para uma foto tirada do céu de ESC lendo o calhamaço “Manual de Lavagem Cerebral dos Militantes da Igualdade”).
ESC: Não leio. Nunca li. Nunca lerei. Este livro nem era meu.
Y: O senhor se exime de apoiar todas as bandalheiras feitas em nome da igualdade e dos pobres?
ESC: Só apoiei quando não sabia. Apoiei por princípio. Pelo sonho. Apoiei quando não via o que iria acontecer depois. Quando via, desapoiava.
Y: Mas mesmo vendo, nunca mudou sua crença, não é? Mesmo depois de observar as várias mensagens, nunca pensou em admitir que seus princípios poderiam ser errôneos, não é? E quando o barco pegava fogo, pulava fora dele, não é?
ESC: Eu sou inocente e bonzinho. Só quero que o mundo tenha menos sofrimento. Quero ajudar os pobres e as plantinhas.
Y: O senhor é um traidor dos princípios humanos! Quando se apoia, não se abandona o apoio ao primeiro sinal de que se apoiou uma besteira… O mínimo é ter a honradez de se manter no barco em chamas, admitir que se apoiou o barco em chamas. O divino é rever as idéias errôneas que o levam a constantemente apoiar idéias bestas. Pior que o diabo, é homem que jamais aceita rever quem ele é.
ESC: (soluçando) Eu nunca soube. Eu nunca soube.
Y: O senhor ainda nega saber o que faz? Seja homem ao menos agora! Saia deste mar de corrupção! Quando fazemos escolhas, assumimos os riscos!
ESC: (soluçando) Só quero ser legal. (Tremendo)
Y: No mar de ignorância de hoje não se entende o que é escolher! Somente um ignorante acha que escolhas são se alinhar ao que se gosta. Que nada! Escolha é assumir o risco pelo desconhecido, é se alinhar ao que não se sabe ainda! Se alinhar ao que se sabe é óbvio, patético, desnecessário. Todos podemos escolher “apoiar os pobres”. Ou “acabar com a fome”!
ESC: (soluçando e tremendo), É agora eu sei… Agora eu sei.
Y: Somente a morte esclarece a vida para algumas pessoas! Mas o senhor é responsável por seus atos. O senhor admite que por ignorância e desfatez, apoiou idéias mesquinhas e sem base por sede de poder?
ESC: (agora sério). Nunca apoiei nada disso. Nunca. Nunca!
Y: O Senhor nunca apoiou governos corruptos?
ESC: Nunca! Nunca nem votei!
Y: Mas está aqui o seu registro de votos feito por São Pedro.
ESC: Este não sou eu. Eu não sabia. Eu não votei. É uma conspiração da Igreja Católica!
Y: Mas estamos todos aqui reunidos, católicos, hindus, e tudo mais. Todos tem os mesmo fatos!
ESC: Então foi Deus… Foi Deus que me fez fazer isso.
Y: O senhor tem livre arbítrio.
ESC: Num pais cheio de desigualdades, com a miséria a ponderar meus passos, onde os pobres não tem vez, onde a elite faz conchavos de direita, o nazismo impera, nunca tive livre arbítrio! Nunca fiz o que fiz. Nunca votei por vontade própria. Só fiz o que pude fazer (soluços). Nunca!Nunca!
Y: O senhor não tem é arbítrio. É um caso perdido. Punição ao senhor!
ESC : (tira um pergaminho do bolso) Eu tenho aqui um Habeas Corpus. Veja aqui a insígnia da Comarca de Indra dos Reinos Celestiais. Garante imunidade para fazer e falar qualquer besteira, e manter meu estilo de vida acefálico.
Y: Mas este Habeas Corpus só é válido em vida. Aqui é a ditadura de Yama! (rindo em voz alta, hahahahahaha)
ESC: (esquerdinha em choque, soluça, faz xixi nas calças). Ohhh… Eu prometo que mudo. Eu entrego todos os documentos. Eu admito! Eu admito! Era tudo uma farsa! Eu fui uma criança frustrada! Tive um casamento ruim! Perdoem-me! Eu nunca fui feliz! Por isso, por isso… Não, Yama, não…
Y: Sua pena já foi decidida. E troque esta roupa imunda antes de retornar para ouvir a sua sentença particular, antes de darmos prosseguimento a CPI.
(Todos retornam, ESC de roupa nova, soluçando).
Y: Em que pese que na Hora-H o senhor reconheceu seus tristes desvios de conduta. Sua pena foi reduzida em um quinto. (Levanta sua capa e ri, hahahahahaha). A vida é um teatro e o senhor interpretou o papel de infrator ignorante. A ignorância não reduz a infração.
ESC: (soluçando) Perdoe-me, perdoe-me, perdoe-me.
Y: Sua pena será nascer mais 3233 vezes como esquerdinha, sem poder estar satisfeito ou ser feliz. Nas 3233 vezes lhe será apresentado “O Capital” logo aos 12 anos de idade, e frequentará escolinhas de lavagem cerebral com professores do conchavo. Irá sofrer no íntimo, apesar de ter que sustentar uma falsa imagem de simpatia ao planeta e a população. Terá que sempre fingir que gosta da companhia de pobres, dos infirmos e dos ignorantes, apesar de jamais conseguir conversar com eles ou entender como se sentem ou porque existem. Serão 3233 vidas em que terá problemas de ereção, fumarás muitos cigarros escondidos no banheiro, e encontrará na cervejinha e no futebol os parcos momentos de alegria. Após 3233 vidas virá novamente ao tribunal e testaremos a sua resolução. Chamem o próximo depoente!
ESC: (Cabisaixo) Agora aprendi… Agora aprendi…