DIA?

Dia internacional do orgasmo. Vê se pode. E ainda por cima no Domingo. A sociedade atual é o fim da picada. Imagino também que deve existir por aí, um dia internacional da mijada e da cagada, e do banho também. Afinal, a maneira que encontramos de impingir nos outros a pecha de “liberal” é nomeando palhaçadas como esta. Veja só, um deputadozinho em algum país do mundo, foi querer agradar sua base, e deve ter posto isso em votação. Os deputados presentes, que não deveriam ser muitos, preferiram votar a favor, afinal qual deles quer ser visto como sendo “contra o orgasmo”? Quem hoje quer ser visto como sendo discreto? Pronto. Estava fundado o dia internacional do orgasmo, e a patética sociedade aceita e engole uma coisa destas.

Em primeiro lugar, nada contra o orgasmo. Afinal, acreditem, até gente como eu se beneficia dele. Mas, acho que divulgar, cornetear e panfletar um ato privado é coisa de gente de má índole. Vocês irão afirmar, ah, mas existem pessoas reprimidas no mundo inteiro, que não sabem o que é um orgasmo. Eu rebato, primeiro, elas continuarão sem saber, porque não é o dia internacional que irá lhes informar. Segundo, provavelmente eles não sabem também o que é paranóia, psicanálise, e tantas outras coisas… Obviamente, vocês não acreditam nisso. Mas sugiro que passem um dia em algum vilarejo. Acreditem, não saber o que é um orgasmo não impede ninguém de ter um. E mais, ter privacidade é importante. E mais ainda, a palavra orgasmo só deve ser ouvida por quem tem maturidade de entender e partcipar do processo.

Imaginem só, um garoto ou garota de 4 anos perguntando aos pais o que é orgasmo. Uma criança exposta a estas idéias cedo demais, resulta em casos como alguns que ocorreram aqui nos EUA, onde crianças de 6, 7 anos foram pegas iniciando atos sexuais. Se vocês acham que isto é coisa de uma sociedade normal, que isto é aceitável, então certamente ignoram do que se trata a infância. Todos os adultos de hoje tiveram infâncias numa época que ainda havia algum pudor e privacidade. Brincamos de pipa e andamos de bicicleta pelo quarteirão até os 12, 13 anos. Uma parte já pegou a sexualidade exacerbada da Xuxa, mas a maioria nem isso. A maioria pode ter a companhia de tio Maneco, Sítio do Picapau Amarelo, e nunca precisou ouvir a palavra orgasmo até chegar a adolescência. E vejam só, será que somos uma geração que não entende de sexo?

Já a geração depois da nossa, esta uns 15 anos mais nova que nós somos, entende o que é sexo, mas não tem ainda a maturidade para entender as consequências do sexo. Crianças de 13 anos andam praticando sexo rotineiramente. Vários praticam sexo anal para preservar a virgindade. Garotas de 12 anos, de classe média, ficam grávidas e já contraiem AIDS de parceiros de 14, que por sua vez fumam maconha, a revelia dos pais que consideram o cigarro e a maconha naturais. Que consideram um sinal de deixar o filho fazer escolhas, de maturidade. Infelizmente, por tudo que eu já vi em campus universitários norte-americanos e brasileiros, e o por tudo que já ouvi de pessoas que tiveram problemas sérios de drogas, esta é a pior opção. Porque a maturidade para identificar quando o uso de drogas é uma fuga da realidade, um vício, requer uma “maturidade” muito maior que até uma pessoa nos seus vinte anos pode ter.

Nós somos parte desta sociedade sim. A mesma que inofensivamente trompeteia o dia internacional do orgasmo, como se o orgasmo fosse uma grande bandeira da liberação sexual. Somos uma sociedade grotesca, que está aos poucos destruindo o prazer do sexo, por superexposição, por induzir uma obsessão sexual doentia em toda uma geração de jovens, que já pratica sexo anal e ao mesmo tempo mata inimigos em videogames, e por outro lado, não sabe ainda o que quer, não entende sofrimento ou mesmo a responsabilidade de seus pais. Os jovens muitas vezes não sabem ainda que muitos de seus problemas são sim responsabilidade de seus pais, que andam desleixados e neuróticos. E por sinal, esta minha geração de pessoas que viraram pais, está se conflagrando como uma geração de bundões, com exceções. Fugimos de toda responsabilidade, e usamos para isto qualquer escudo a nossa alcance, desde “liberdade” a “quero poder fazer o que eu quero”. E permitimos tudo, com medo que nos julguem ou condenem por impedir a “liberdade” alheia. A liberdade não deve impedir você de educar o seu filho, e de protegê-lo de informações que ainda não são para ele…

O sinal dos tempos, que me faz rir muito, é que muitos jovens da minha idade que tem filhos, tem vergonha de falar de sua religião para seus filhos, tem vergonha ou acha errador discutir ética e o que é certo ou errado, mas acha o máximo quando uma criança de 8 anos dá beijo na boca de outra, como eu já vi acontecer entre dois “namoradinhos” na California, ou quando um garoto de 5 quer saber detalhes do que é sexo anal, como já vi no Texas. Por estas e outras, que se um dia eu tiver um filho, ou mesmo adotar um, vou me isolar em algum vilarejo da Índia ou do Brasil. Se por um lado é retrogrado, por outro ao menos meus filhos poderão ter uma infância saudável e ir descobrindo as maravilhas da vida, inclusive o sexo, cada um a seu tempo, na sua hora.

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