I LOVE YOU
“Why are you making love with me? Do you love? Why?” - momento de tensão sexual na soap opera de 1:00pm da ABC.
Queridos e queridas, nunca, mas nunca mesmo pergunte a alguém “porque você está fazendo amor comigo?”, “porque você me ama?”. Jamais. Never, ever, ever. Bom, em primeiro lugar, uma pergunta destas estraga o momento. Completamente. Quando você está lá, mergulhado no momento, não pensando em nada, ou quem sabe pensando no parceiro ou na Luana Piovani, tudo bem gostoso, e pimba, uma luz intelectual se acende. Seu cérebro tem que começar a funcionar diferente, a raciocinar logicamente, abstrair, deduzir. É um quebra tesão total. É como se você levasse a sua mulher linda e feminina, vestindo um colar de jade, e um longo preto, ao restaurante no penúltimo andar do Four Seasons, e depois de um aperitivo gostoso, com a pianista delicadamente se metendo a tocar Cole Porter, os olhos de sua linda estalando de felicidade, e de repente, você arrota. Pronto, estragou tudo né. Logo naquele momento em que tudo estava tão bom…
Tá, vamos dizer que você não acredita nesta coisa de momento. Uma segunda razão para nunca se perguntar uma coisa destas é porque não existe mesmo uma razão para se amar alguém. Muito menos para se fazer amor. A resposta honesta, my dear its only hormones and the images built in my psyche. Ou ainda, I love the sensation of dopamine released in my brain? Alguém acha isso bom? Imagine Cary Grant, com seu elgante chapelito preto e terno azul marinho escuro, convidando a dama a sair do carro, e diz, “I Love You…” e depois de uma pausa “because I want that dopamine sensation”. Nem viagra dá jeito, porque ainda não se inventou um viagra da mente. Então, conforme-se, não existe razão para amar qualquer pessoa. É gostoso amar. É melhor ainda se sentir unido a pessoa, esquecer as coisas que passam na cabeça, e se fundir a esta sensação de amor, mergulhar no outro, e em nós mesmos. Só por isso amamos. Na Índia dizem que somos amor, e vivemos esquecendo disso. Tendo a concordar. Então quando se racionaliza o amor, já se perdeu o desejo, a compreensão do fenômeno amor. Vou deixar a discussão filosófica para os swamis que já escreveram sobre isso. Mas lhes garanto, pedir para alguém explicar porque eles querem fazer amor contigo ou vai estragar a sua relação, a sua felicidade, ou senão vai garantir um doutoradozinho para os dois, e experiências intelectuais maravilhosas na cama. Prazer que é bom, neca.
Para quem ainda não se convenceu, existe ainda uma terceira razão. Talvez você prefira não saber a resposta. Talvez não haja resposta coerente. Quando você está com alguém, na cama, ou numa relação amorosa, necessariamente existe um componente de confiança. O amor, assim como o sexo, é um recado que diz, “eu confio em você”, mas ele é imcompleto porque não continua como se espera “eu confio em você para xxxx, porque yyyyy”. Não, é meio incondicional, confio e pronto. Mas confiar não é amarra, rédea, nada disso. Isso fica para os cavalos, como os que vi no Central Park. E mesmo eles pareciam bem felizes e saltitantes, e digamos salientes, sem as rédeas de plantão. Então, a tal da confiança é a mesma que aparece em “auto-confiança”. Se você confia em si mesmo, é quase automático confiar no outro. E entender que cada um pode ter lá suas razões para estar ali com você, para te amar, e que talvez estas razões não sejam nada importantes para você (”ah, você de meia verde e com seu nariz pequeno, me lembra da pequena Leprechaun que eu tinha lido quando criança”), mas podem ser fundamentais para o outro. Então, realmente, prá que saber?
Como vocês podem ver, não importa mesmo saber as respostas para estas perguntas. Desde que aquele momento, que o amor, seja delicioso, como um Creme Brulée do Kitchinette ou a Panacotta do Giovani’s, nenhuma destas respostas vai fazer a menor diferença. E talvez se o momento não for delicioso, é porque você está perdendo tempo demais raciocinando sobre estas coisas. Veja só, eu ouvi ali de um New Yorker de esquina, estes bem típicos que habitam as esquinas da cidade e de vez em quando dirigem táxi, que “love is not important!”, e eu que já estou acostumado a ouvir de tudo, gargalhei quando ele completou com “but it is a great experience”. Pois é, definitivamente “its a great experience”.
PS: Para quem ainda torce o nariz depois de ler estas admonestações de um cara inexperiente como eu - mas veja só, o inexperiente tem muito mais compreensão de suas experiências, que o experiente irracional - segue aí uma quarta razão. Um verdadeiro momento de amor, completo, intenso, aquele sentimento, é inesquecível. Mas a memória nem se compara a experiência. Esta última é muito boa. E te garanto ter um momento destes com alguém, sem saber direito porque - que é até uma coisa romântica diria Capra -, é melhor do que ter dez momentos de certeza de que Lobisvaldo te ama. Não é que a incerteza é romântica, mas é que não racionalizar demais é o melhor afrodisíaco para a felicidade.
August 18th, 2005 at 7:30 pm
Não sei se você conhece aquela brincadeira: “Falamos juntos! PEGA NO VERDE!”. Daí o primeiro que tocar em algum objeto da cor verde tem que dizer: “VERDE É MEU!”
Não é possível!
Variação sobre o mesmo tema!! (?)
Fiquei besta agora!
Acabei de escrever um texto sobre esse assunto, cliquei no link para cá, e o que encontro?
Devo admitir: apesar do antagonismo, o seu está mais persuasivo.
:^)
Ah, estou gostando muito do livro. Lendo aos pouquinhos.
August 20th, 2005 at 12:49 pm
engraçado mesmo… escrevi sobre o amor. Diferente de vcs dois, escrevi com a síntese apressada de quem já não faz tantos rodeios.
beijos
February 6th, 2006 at 5:18 am
quem e essa claudia que sente saudades de vc?