CHIQUE

Chique é o que estou fazendo agora, só para matar vocês de inveja. Acabei de almoçar o meu prato de sushi vegetariano, sentado em uma bancada de madeira, década perdida de Fitzgerald style, com aquelas luzes a mais e tudo, e granito italiano novinho no chão em padrões vermelho e azul. Tudo isso esperando pelo trem para levar ao trabalho, na estação mais linda que já vi, em termos de arquitetura, a Grand Central station.

Ah sim, para não dizer que está perfeito, estou a menos de trinta metros da plataforma, e aqui existe conexão wireless gratuita para poder encher o saco de vocês a partir do meu blogue. O sujeito sentado na mesa ao lado está lendo compenetradíssimo, e como nunca desisto, imagino que seja o Idiota de Dostoiévski. A linda do outro lado da mesa não está lendo nada, mas tem um sorriso maravilhoso, lábios grossos mas delicados, olhos bem arredondados, com o formato de manga, e um corpo que deixa bem claro o tempo de malhação, mas ainda assim exibe as curvas exuberantes que se espera de uma mulher num vestido longo azul.

Ah, vestido longo azul… Só mesmo em Nova Iorque. No metrô que peguei para chegar por aqui, duas crianças lindas ficaram brincando comigo, e uma francesa bonita mas mal cheirosa lançou olhares para os quais sumariamente virei a cara. É porque sou índio e tomo banho todo dia. Adieus, mon ami. Meu trem está para chegar. Vou seguir a viagem terminado de ler “The Remains of the Day”.

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