FITZGERALD, WALTZ ET AL?
Parece que o mundo, de repente, resolveu retroceder. Seguimos adiante até um certo ponto e de repente, entramos novamente em um ciclo de ignorância e violência. Senão vejamos, primeiro os radicais islâmicos passaram a agir como na Idade Média, levando ao regresso americano a uma espécie de Inglaterra Colonial sem a sutileza babaca que nos faz admirar até hoje os vitorianos, daí seguimos para a ressureição do zumbi Castro na esbelta figura do Coronel Chávez, isso tudo acompanhados de filminhos de propaganda do Jason latino americano e de um retorno a moda das cores da década de 70, o azul piscina, o verde musgo, sandálias coloridas e roupas flashback. No meio tempo começou a ressureição das bandas que deveriam ter continuado desaparecidas, ufa ainda bem que Beethoven jamais parou e voltou, culminando no patético Live Eight, da camapanha a favor de uma graninha para músicos ricaços aposentados que torraram toda sua grana.
Enquanto isso, na disputa de mentirinha das eleições ao redor do mundo, vimos sinais de modernidade incríveis: Putin se ajeitando no papel de Stálin, o rato coreano arregaçando as mangas, Líbano voltando ao racha da guerra civil, EUA numa eleição disputada entre um mentiroso e um espertelhão, na Europa, a retomada da síndrome de 45, com os elementos verdecos se tornando o equivalente da patriotada ao propor subsídios, mecanismos de controle contra imigração estrangeira e proteção ao “trabalho nacional”, na China a ascenção ao poder ao herdeiro psicológico do Mao a presidência, e na Índia a volta, mesmo que contida, dos socialistinhas ao poder por mero populismo.
Já no Brasil, que nunca foi muito afeito mesmo a idéias novas, mudanças e tudo que representa um sopro de renovação e juventude, um ignorante gritalhão que bradava contra ditadura, mas o máximo que fez foi passar um dia preso, chegou ao poder. Um pouco antes, ou um pouco depois, reaparece a versão menos eficiente do Pelé, Brasil ganha uma copa, depois de perder uma, o ACM (agora Neto) ascende ao poder no melhor estilo Corleone, e ao mesmo tempo o governo americano anuncia intenções de testes de bomba, a França testa míssieis e bombas em suas colonias ultramarinas, a China dá a bombinha a Coréia do Sul e provavelmente ao Irã, a Índia desenvolve a sua em resposta, e a Rússia anuncia suas intenções de vender armas a China.
Quando tudo parecia na mais bela paz, começamos a encontrar de novo os chatos pseudo-sexuais, forçando goela abaixo de todos uma sexualidade reprimida e exacerbada, e em resposta, vários jovens de todas as religiões começam o xiitismo se utlizando da grande rede e da impressão barata dos livros. Enquanto isso, no Brasil, discursos com vozes de Jango, JK, Chico Buarque e Caetano continuam exaltados como os grandes expoentes da mídia, e um tal de Los Hermanos é mais ou menos os Mutantes da era internet. Blogs tomam lugar de fanzines, blogueiros são os jornalistas rebeldezinhos e frustrados da década de 60, e por aí vai. Iraque, mais um Vietnã, mulheres querem mais direitos iguais, ou melhor direitos compensatórios como as feministas começam a pregar aqui, dizendo que devem ser compensada pelos anos de exploração.
As filhas das musas começam a aparecer na Playboy, imitando as poses das musas. Aviões caem do céu, mais ou menos como na época da Pan Am, e o medo da Aids é substituido pelo medo e ânsia do câncer, da obesidade e da aposentadoria idosa. Mais ou menos igual a pílula, aparece o Viagra para convencer o mundo que fazer sexo é a única coisa que vale a pena na vida, e portanto devemos comprar as roupas demodé, e maquiagem da Revlon, que anuncia a Liz Hurley, mais ou menos igual as musas de 60, na capa. COmeça o retorno do movimento black power, e artistas pretos se matam na rua e acham isso chique, igualizinho na década de 60, exceto que naquela época não haviam direitos iguais.
Para não ficar atrás, os governos começam a suprimir os direitos civis, em nome de segurança. Os histéricos chiam mal e errado, e perdem a voz. A economia mundial entra num mini-boom, mais ou menos parecido com o que aconteceu antes do mini-bust da década de 80. A única diferença é que os explorados indianos e chineses preparam cuidadosamente sua vingança intelectual. Mas isso também é igual aos japoneses do pós-guerra. E por acaso, o Japão volta a crescer economicamente após quase quinze anos de stagflação e recessão. Só faltava a volta do Tio Maneco e do Sítio do Picapau Amarelo… E não é que voltam mesmo.
O mundo continua a mesma coisa. O pior é ter que abrir a página do jornal, para ler a declaração do caquético Veríssimo assim:
” As pessoas não acreditam em política e nem em políticos. E na verdade não é uma crise de esquerda, é uma crise capitalista e vai servir para que todos se dêem conta da promiscuidade do dinheiro. É um descrédito generalizado. Até o Palocci, que estava sendo preservado, foi envolvido. Nem o Ministério Público merece mais confiança, como vimos nas cenas em que o promotor saía no meio dos depoimentos para falar com a imprensa. É a terra arrasada”
Só falta agora aparecer o Glauber Chato Rocha, se bem que Waltinho é uma cópia mirim, e o Veríssimo passar a depoistar o seu salário capitalista de 60 mil reais por mês na conta dos Estertores. Afinal, aí vai poder viver sua vida igualzinho na década de 60, quando ganhava mais ou menos mal, e ficava apontando os dedos contra os militares, ao mesmo tempo que virava o traseiro para o Brezhnev e o Andropov. É, nada muda.
PS: Querem que o mundo continue evoluindo? Mande gente assim para morar no vale do Jequetinhonha, pelo bem da humanidade. Poderiam implantar lá o Comunismo com Mensalão, e poderiam receber seus amigos nos castelos para altas autoridades do partidão. Pô, com 60 mil por mês para cada comunista frustrado de redação de jornal, o vale vai ter bom PIB e muita grana para fazer dasha. Provavelmente também vai ser o lugar mais insuportável do planeta.
PS2: O único lugar em que não involuímos tanto foi na literatura, onde não há nem sinais de um Fitzgerald, Hemmingway ou Maugham. Por outro lado, Paulo Coelho voltou a ativa e é agora famoso no mundo inteiro, mais do que na época anterior. E como esquecer os foices literários da nação tupiniquim - precisa dizer quem são? - que reproduzem com exatidão a maior parte das porcarias da década de 60, que poderiam ter sido apagadas da memória das gerações futuras, prevenindo todo tipo de disfunção sexual.