FURAÇÃO DAS REGRAS ou HURRICANE RULEZ
Não, não vou aqui zoar o hurricane Rita, se bem que poderia e deveria. É a melhor coisa do mundo desfazer preconceitos bobocas que as pessoas alimentam. Um preconceito boboca é pensar que existem certas coisas que não se dizem, simplesmente porque não devem ser ditas. Tá, até pode fazer sentido se suas palavras realmente fizerem alguma diferença, corresponderem a alguma ação. Mas na maioria das vezes são só palavras. 99% das vezes. É que nem gente que ameaça a vida dos outros escrevendo romances. Olha só, romances já diz tudo. A palavra romances já implica que “meu camarada, isto é uma fantasia, uma viagem qualquer que não necessariamente corresponde a vida real, e se corresponde é tangencial”.
Ao invés de se preocupar com gente que diz coisas que não deveriam ser ditas, como por exemplo, fui fazer xixi no banheiro, se preocupem muito mais com pessoas que impedem os outros de dizer coisas e apresentam razões moralistas para isso. Por três motivos. É, eu tenho a mania dos três motivos, coisa de engenheiro, que sempre precisa de três princípios para qualquer análise ou projeto. O primeiro motivo é que o indivíduo que moraliza uma brincadeira, ou um diatribe qualquer, se utiliza implicitamente do argumento de que ele sabe o que é melhor para todo mundo. Inclusive para mim. Veja só, este indivíduo que nunca me viu mais gordo, que nunca experimentou um sambar ou rasaam, nem dançou forró com a Thaís, nem discutiu problemas com o Prof. Varaiya, nem mergulhou na cachoeira de Aquidaban, nem foi ao Maracanã na final de 92, e nem muitas outras coisas. Para você se aproximar de saber o que é melhor para outros, você tem que dominar com maestria o que é melhor para si. E visivelmente, você sabe o que é melhor para si, quando divide alegria, criatividade, sucesso e carinho ao invés de autoridade e regolatria (i.e. egolatria das regras).
O segundo motivo é que é perda de tempo ficar julgando retórica pois retórica é retórica. Palavras não dizem nada sobre caráter. O caráter se constrói baseado nas ações. Quem vive no plano da retórica está jogando na lata do lixo a coisa mais legal da vida: a experiência. Nunca se sabe o que esperar. Nem sei se vou acordar amanhã de manhã. Provavelmente vou, porque tenho 7 problemas de dever de casa para entregar. Mas ainda assim, nada é garantido. Então tá, uns dizem que a retórica define a sociedade. Que devemos forçar a todos a pensarem de certa forma (e então voltamos ao primeiro motivo). Outros, fogem disso e dizem que a retórica pode ser ofensiva a alguém. Ora, então evite ler. Deixe de lado. Agora desandar a odiar alguém por causa de retórica, é simplesmente ignorar o valor e a surpresa da vida. Quem fica brincando de prever caráter dos outros, cria um mundo tão sem nuances, tão mecânico, que provavelmente acaba tendo uma existência robótica. Provavelmente repetindo a exaustão algum chavão besta.
Olha só, as pessoas mais interessantes são completamente imprevisíveis. E a bem da verdade, nem fazem questão de sê-lo. São imprevisíveis e elegantes.
E a terceira razão é que reprimir o que os outros falam, provavelmente é sintoma de auto repressão. Provavelmente, está sendo criado um vulcão prestes a explodir. Em geral, indivíduos que defecam regras para os outros - especialmente regras que convenientemente não exigem sacrifício algum do próprio - são bombas relógio de repressão e hipocrisia esperando para explodir. Uns explodem atazanando a vida de vizinhos e colegas. Outros, de tão profunda entrega a esta repressão, acabam até matando ou mandando matar, sem peso na consciência. Não é nada legal perder a espontaniedade. Ser espontâneo é também dizer o que se pensa sem muita edição, sem ficar calculando o que A vai pensar, o que B vai dizer. Ainda mais quando dita com bom humor… Quem fica ouvindo os outros, e leva o que foi dito ao peito, tem sérios problemas de vida, pois as pessoas são contraditórias, e sua vida será o maior nonsense… Ignore tudo que quiser, e aprecie as pessoas falarem o que elas querem falar. Não precisa ficar elogiando não. Deixe estar, só isso.
Mas então tá. Se você realmente quer “oferecer apoio ao mundo”, se é que tais generalizações são possíveis, então faça o seguinte: primeiro, veja mesmo se o que você está fazendo ou vai fazer te dá prazer; segundo, ria das coisas, a vida é um sonho, e rir é felicidade; terceiro, seja prático, varra o quintal do vizinho, ensine matemática para sua irmã, tá, cozinhe alimentos para os mendigos famintos; Agora evite, mas evite mesmo, a qualquer custo, dizer “bla bla é o que TODOS deveriam FAZER para termos uma sociedade PERFEITA”. Olha, a sociedade hoje só não é perfeita, por um detalhe: os dinossauros não comeram os regronautas do futuro… If not, o mundo estaria caminhando para se tornar o olimpo materializado!