CALIFORNIA DREAMIN’

Sábado, fui a Ruby Skye, uma das melhores boates de San Francisco, e uma das melhores casas de música eletrônica do planeta. Pena que eu não sabia que ia ser só música eletrônica, apesar do DJ famoso Carl Cox ter feito a noite. O DJ da casa era tão bom que só percebi que era música eletrônica quando Carl Cox entrou, e se por um lado arrebentou na mixagem, por outro ficou parecendo um Nero Negro, já que todas as imagens no telão incluiam ícones do seu rosto.

Para vocês verem como eu sou in, esta foi a primeira festa eletrônica que fui aqui na Bay Area, meca da discotecagem norte-americana. O que me convenceu a ir, além da inestimável companhia de amigos berklianos oferecendo carona de carro e milhões de oportunidades para banter - aka bate bocas recheados de piadas -, foi saber que se tratava de uma das melhores casas do gênero em San Fran. Pois é, se eu não me empolgasse muito com este lugar, poderia abandonar de vez qualquer adesão a este tipo de música. Muita gente me dizia que música eletrônica não é boa para ouvir, mas é boa para dançar. Eu acho que música eletrônica é entediante. Você até ouve, até dança, no meu caso gosto de programar ou fazer atividades repetitivas ouvindo eletrônica de certos tipos, mas é entediante.

Mas voltemos ao céu de rubis. A boate é linda. É um teatro estilo vitoriano transformado em boate, com um pé direito gigante, praticamente três andares. Ninguém pode fumar lá dentro, e separaram uma área externa de fumantes, com um dj que apropriadamente toca reggae enquanto os fumantes se aglomeram por ali para um cigarrinho. Como fica bem perto do Theater district de San Fran, a boate fica perto de lanchonetes e restaurantes, e convenientemente você pode sair da batucada para comer um lanche. A única coisa que falta mesmo, é um lugar maior para ficar sentado, caso você esteja entediado como eu fiquei após uma hora e pouco de batucada e people-watching. Os VIPs tem uma área legal. Os não VIPs pagam entrada cara - o ponto negativo do local, e não tem muito aonde se sentar.

As vantagens de se pagar o ingresso caro é poder ouvir um DJ mundialmente famoso, e tornar o público bem seleto. Homens e mulheres razoavelmente bem vestidos (muito bom para o padrão da California), e muita gente bonita. Sem contar que empurra empurra quase zero, e pessoas que pedem desculpam ou pagam uma bebida por qualquer esbarrão mais forte. Como disse um amigo meu, a quem levantamos a bandeira de Castro Membership, “it doesn’t matter what happens or what he did, all I care about is my beer”.

Você pode ver um monte de gente empolgada com um carinha mexendo num disquinho. O pessoal solta uuuhhhss e ahhhhssss porque a batida mudou de tumscumptumscumptumscump para tuuuumscumptuuumscumptuuumscump. É bem engraçado. Para ver também os shows exóticos que acontecem atrás do palco, num palco mais elevado, e nas laterais. Bons dançarinos e performáticos elásticos mostram seus dotes de acordo com o batidão.

E se você tiver sorte, vai ter a seguinte estória na volta. Quando fomos voltar de San Fran para Berkeley, pegamos um engarrafamento enorme no viaduto que leva para a Bay Bridge, a ponte que precisamos atravessar para retornar a civilização da educação. Engarrafamento as três da matina, que bloqueou o viaduto de tal forma, que o trecho que levava quinze minutos levou hora e meia quase duas. O bloqueio foi por sandices da CalTrans, que bloqueou uma das entradas da ponte, forçando todos a descerem por uma ruazinha e assim conseguirim acesso… Ainda assim, imaginem o que é estar literalmente parado no trânsito as três da matina. Entre outras coisas, alguns motoristas dormiam ao volante com o carro parado. Apagavam de tal forma, que várias vezes a polícia foi pela contra mão para acordar os sujeitos.

Então lá estamos bloqueados na ponte. Ao menos passamos na Mels antes para tomar o delicioso milkshake, o que exponenciou a paciência e o bom humor do pessoal. O carro andando de milimetro a milimetro. Depois de uns quarenta minutos, de repente um cara abre a porta de um carro e dá uma corridinha para a lateral do viaduto. O cara de relance parecia uma zebra, com uma camisa de barras pretas grossas intercaladas com barras brancas. O que ele foi fazer? Literalmente, mijar. Parecia saída do Maracanã. Exceto que aqui o xixi do sujeito deveria estar caindo da parte de cima para de baixo. No que eu disse, pó até parece coisa de brasileiro, o indivíduo vira a cara para voltar para o carro. Adivinhem… Era um estudante brasileiro de pós em Filosofia, que está em Berkeley. A roupa de zebra era a camisa do Botafogo… Coincidência?! Incrível! Nem combinamos nada… Nos matamos de rir por horas com esse negócio. Como diz o governo tupiniquim: brasileiro não desiste nunca.

4 Responses to “CALIFORNIA DREAMIN’”

  1. Franz Says:

    Música eletrônica é boa pra lavar louça também. Dá um pique…

    Deve ter sido muito engraçado esse momento no viaduto. Esses episódios inusitados são os melhores da noite. São melhores que os flertes, se brincar.

  2. concy maduro Says:

    O DJ ERA MUITO BOM!

  3. concy maduro Says:

    Essa do dj é muito boa,esse foi aquele que virou pai por um acaso,no meu primeiro retorno ao Brasil,ele apareceu do nada porque nao mora mais no rio e me disse para consertar essa historia do blog porque ele havia tocado nesta festa e estava todo mundo pensado que era ele o dj performatico,dei gargalhadas , mas o fato é que ele casou foi morar fora e como nao sabia de nada do blog,quando li fiz esse comentario que ele é um bom dj e que vc é um escritor e nao vou interferir nas sua criatividade,porque sou sua adimiradora .

  4. concy maduro Says:

    A o dj performatico vive solteiro no rio de janeiro,o preconceito que quando foi descoberto todos se afastaram dele.Ram o que vc acha de escrevermos um livro de quem é quem no rio de janeiro, vai dar o que falar,os homens da noite e do meio artistico conheço todos.Penso que vou criar muita inimizade ,melhor ficar quieta.(detalhe nao é o casado,existem varios djs).

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