BBC CAN LIE

Cuidado, a BBC é capaz de se alinhar até o pescoço com a ditadura de Hu Jintao. Um exemplo é a capacidade da BBC de minimizar as centenas de milhares de mortes de tibetanos causados pelo governo de Mao e de Deng Xaoping. Após a destruição da continuidade cultural da filosofia budista, ao se queimarem livros e líderes, o próprio governo introduziu uma “nova tradição” budista. Segundo a propaganda oficial, “a pobreza dos camponeses do Tibet” terminou. Sim, pois além da morte de centenas de milhares de camponeses que plantaram arroz que não deu certo, o governo comunista populou Lhasa com tantos chineses, que os tibetanos se tornaram minorias.

Um exemplo típico do tipo de metodologia chinesa, foi a seleção do Panchen Lama. Assim como o Papa, que é selecionado de acordo com rituais católicos, a seleção do Panchen e o Dalai Lama seguem rituais e a tradição budista. Mas, interferindo grosseiramente na tradição e insultado os preceitos religiosos e morais, o partido comunista chinês deu um chá de sumiço num garoto de 6 anos selecionado como o Panchen Lama, e alguns meses depois montou um sorteio (isso aí!), para selecionar o “novo Panchen Lama”. Mais ridiculamente, o governo chinês decidiu o treinamento que o mencionado Panchen terá. A BBC, no cúmulo do ridículo, começou a chamar esta situação de “a controvérsia em relação ao verdadeiro Panchen Lama”. E já chama o Panchen coroado por Hu Jintao como sendo o Lama. A escolha do Panchen Lama na tradição Budista é essencial, pois é ele que escolhe o Dalai Lama.

Em Lhasa, os chineses já trouxeram a carne (artigo proibido na cidade sagrada), bebidas, drogas, boates, e expulsaram a maioria dos camponeses. Em verdade, toda a economia é gerida e consumida por chineses. Agora o governo chinês, que queimou milhares de pergaminhos com mais de 1000 anos de história, patrocina a “reconstrução dos monastérios” sob a “orientação do partido e de monges autorizados pelo partido”. A BBC, que em seu seriado Himalaia enviou o repórter Michael Palin a Lhasa, distorce tanto a situação que chama esta sequência de eventos, de renascimento do budismo, com a tolerância do partido.

Não estou aqui dizendo que a tradição Budista de escolha de líderes ou mesmo a maneira como governavam o Tibet era exemplar. Por outro lado, o governo comunista não trouxe benefício algum a região, deslocou tibetanos e matou dezenas de milhares, destruiu a continuidade religiosa de uma tradição milenar, além de queimar pergaminhos de mais de mil anos e pesquisas e relatos históricos de filosofos e intelectuais budistas da região, e transformou Lhasa numa cópia de uma Beijing, só que só para chineses, pois os tibetanos se tornaram cidadãos de segunda classe em sua própria cidade. A isto, a BBC nem sequer propõe uma crítica. Pelo contrário, implicitamente defende a atitude ao exaltar a “abertura chinesa”.

Como sempre se soube, a BBC sempre foi a favor de ditaduras de esquerda, ao custo de um governo de Bush, por exemplo. Só não sabia da extensão da cara de pau. Mas, como o mundo não gira só ao redor da mídia, mesmo que a tradição budista de líderes chegue ao fim com a morte do atual Dalai Lama, na Índia, os refugiados tibetanos fundaram a pequena Lhasa, em Dharamsala. Sob os auspícios do governo indiano, o estudo da filosofia budista está sendo lentamente retomado. Enquanto isso, a BBC se alinha com Hu Jintao, os vietnamitas do Sul - que expulsaram outro grande monge budista para a França- , e toda sorte de líderes desde que estes sejam a favor do pensamento socialista. Um câncer esta ídeia. Quem diria que o fim da humanidade viria justamente pelas mãos de pessoas que fingem querer o bem de todos, mas no fim das contas só querem poder?

2 Responses to “BBC CAN LIE”

  1. Daniel Malaguti Says:

    Engraçado, na última vez que conversamos sobre isso você não parecia muito simpático à causa tibetana.

    De todo modo o estudo da tradição budista tibetana está sendo retomado não só em Dharamsala mas também em diversos monastérios budistas espalhados ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

  2. Ram Says:

    Eu sempre fui simpático a causa tibetana. Só não sou simpático aos pro-tibet de Berkeley, que o fazem por obrigação Pol-Cor. Ainda pior, tentam maquiar um pouco o sistema feudal que havia por lá. Existe algum meio termo, entre ter um bom governo, e permitir que os locais mantenham sua cultura e seus hábitos.

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