DROGADO NO SEGUNDO CADERNO

Gosto da música do Iggy Pop. Por isso, li a seguinte entrevista realizada pelo Globo (Jamari França, seja lá quem for). Nela me deparei com este trecho, que vai ser lido por todo adolescente de 15-18 anos que como eu na época, gosta de Iggy Pop:

Esse assunto nos leva ao problema das drogas, ou da repressão, como quer Keith Richards, que diz nunca ter tido problemas com entorpecentes, só com a polícia. Iggy teve vários momentos de sua carreira abortados por causa delas. Indagado se acha que teria ido bem mais longe se fosse careta, ele pensa um pouco e manda:

- Acho que fui bem longe, muito obrigado, em parte porque, a partir de determinado momento eu fiquei careta. Com freqüência encontramos uma associação entre as drogas e certas rupturas do pensamento humano na filosofia, metafísica, religião e arte. Freud cheirava cocaína, Jesus quando vagou no deserto comeu a fruta de uma árvore misteriosa, ele estava doidão. Acho que o LSD e as drogas tanto abrem as portas da percepção quanto quebram barreiras de medos que são introjetados na gente quando muito novos e que nos impedem de seguir impulsos naturais. Mas, depois de um tempo, as drogas se tornam desagregadoras e a pessoa que podia caminhar mentalmente, se torna um aleijado artificial. O ideal seria tomar só um pouquinho (gargalhada) mas isso é muito raro.

Que roqueiros adoram drogas, até aí nada demais. Que eles querem que a droga abra as portas da percepção, e que Jesus sancionem seu vício nada demais também. Até o que o Iggy Pop diz, afirmando que o “ideal” seria um pouco de drogas soa como uma brincadeira. Mas nada disso é inofensivo. Até porque, aí que entra o papel do entrevistador, o repórter sanciona o problema das drogas como sendo “um problema da polícia”, citando outro roqueiro, especialista em saúde e codigo penal, como “fonte”. Uma grande falta de vergonha isso sim. Eu já li muitas entrevistas legais sobre drogas no rock em revistas como Rolling Stone, NME,… Em nenhuma delas, o entrevistador se alinha ao consumo de drogas, até porque se trata de atividade ilegal cujo o praticante tem que responder criminalmente.

Quanto a minha opinião ao que estes roqueiros dizem, ela é bem simples. Quer usar drogas, quer beber cerveja até morrer, whiskinho, quer fumar um cigarrinho, faça. É decisão sua. Só não use o dinheiro do contribuinte, que poderia estar sendo investido em educação, em melhorar um hospital, para tratar da sua condição no futuro. Só peça para eu carregar o custo (em doletas) social do seu abuso. Não peça para eu sustentar sua irresponsabilidade ao dirigir drogado ou sem atenção, ao destruir a vizinhança da escola dos meus afilhados, etcetra. Vamos fazer o seguinte, a cada real gasto nestas atividades, um imposto socialista de duas vezes o valor tem que ser pago para futuras compensações. E quem dirigir drogado vai direot para cadeia….

Opa, será que é isso que acontece? Oh yes, Keith Richards!

3 Responses to “DROGADO NO SEGUNDO CADERNO”

  1. guto Says:

    Vou comentar aqui de modo bem “dichavado”, com minha experiência como ex-maconheiro , caro ram.

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    RAM:
    Nela me deparei com este trecho, que vai ser lido por todo adolescente de 15-18 anos que como eu na época, gosta de Iggy Pop

    EU:
    Disse bem dito. Eu mesmo me encantei com o mundo das drogas, lendo chiclete com banana entre meus 12, 13 anos. Na época a revista, QUE NÃO PODIA SER VENDIDA PRA MENORES, MAS ERA, publicou uma extensa série de reportagens com apologia às droga sobre os beatniks. Ali pela primeira vez eu ouvi falar de zen, bill burroughs, maconha, heroína, cocaína, etc, etc… e tudo paracia tão divertido.

    Mas foi o mesmo bill burroughs que me salvou de dar um salto maior. Pois seus textos mais ‘farmacológicos’ avisam: o junkie (no caso heroína) se torna um zumbi. o junkie se torna um zumbi, o junkie se torna um zumbi… do mesmo modo que a Ciclete com Banana me seduziu pro mundo das drogas via bill burroughs, foi o bill burroughs que me fez ter uma visão consciente do mesmo mundo tempo depois. Pode parecer estranho, mas bill burroughs foi um junkie “consciente”, além de tremendo escritor e destruidor de paradigmas.

    mas é por ai mesmo. Há a responsabilidade da imprensa sim.
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    RAM:
    Que roqueiros adoram drogas, até aí nada demais.

    EU:
    herança dos negros do blues. Concordo que nada demais, ainda mais por ela ter sido tão usada na ìndia, China e Àfrica de mil modos, para fazer roupa, papel, remédio e mesmo extase místico. É, como outros psicotrópicos parte natural da história humana.

    Mas por outro lado, com o tempo, aquela plantinha, banga, ma (erva dos dois sexos em cantonês), foi se tornando uma ótima fonte de lucro fácil. Com isso os plantadores foram se tornando mais “profissionais” e com o tempo, formicidas e pesticidas foram sendo cada vez mais usados, SEM CONTROLE, SEM RESPEITO Á SAÚDE. & assim a “erva natural que não pode te prejudicar” se tornou um veneno homeopático onde de dose em dose, tua vida um dia vai pagar o pato. Quem usa mais, o resultado vem mais rápido. Como foi o caso de meu irmão. Eu acho que não paguei o pato que ele pagou pois por mais que usasse diariamente a erva por aproximadamente 10 anos de minha vida, eu praticava minhas meditações, meus chikun e tinha alimentação natureba.

    Meu irmão, na época fã do planet hemp (hj assume que o som não é aquela maravilha, era mais pelo ‘estilo de vida’ proposto q curtia a banda), duvidava como muita gente ainda duvida que ‘uma erva natural’ pode te prejudicar sim.

    tanto que além do excesso de formicidas e pesticidas, a maconha vendida por ai hoje em dia é cheia de AMÔNIA, sim despejam amoníaco nela com a desculpa de que é para espantar cão policial, mas é sabido que a amônia é altamente viciante. ;)

    resumindo: a vida de maconheiro intoxicou meu irmão de tal forma que ele começou a ter convulções do nada. convulções que ninguém explicava, já que ‘a erva natural’ não faz isso… isso até meu padrinho se tocar que meu irmão estava começando a ter até falência de orgãos por causa de INTOXICAÇÃO POR PESTICIDA. ;) Foi preciso um trauma gigante pro moleque largar mão do bagulho… ah! detalhe, meu irmão estudava violão clássico no liceu de nossa cidade (liceu fêgo camargo), onde eu estudava desenho e escultura, e depois de começar a cultuar alguns roqueiros, como o povo do Pantera (assista um dos vídeos de turnê dele e veja o que é apologia da chapação, camarada), e depois disso foi um pulo pra chapação.

    Uma coisa meu irmão diz: ele toca melhor hoje longe da maconha que antes, pois a erva e seu efeito “peter pan” faz vc ficar mais indulgente e vagabundo com o que cria. AH! MAS MUITOS ARTISTAS CRIAM SUAS MELHORES OBRAR SOB COMANDO DAS DROGAS… se olharmos bem, eles criam suas melhores obras quando na neura pela próxima dose, não quando sob efeito dela, e isso até o naked lunch do bill burroughs demonstra.
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    RAM:
    Que eles querem que a droga abra as portas da percepção, e que Jesus sancionem seu vício nada demais também.

    o interessante de Jesus é exatamente isso. Ele é mó bombril. O maconheiro vai lembrar que no kaneh-bussun que jesus usava como urgento em suas curas havia maconha. que quando foi pro deserto comeu o amanita muscaria, etc… do mesmo modo que papai bush vai citar Paulo pra defender a escravidão, do mesmo modo que o comunista católico vai dizer que jesus era um comuna, do mesmo modo que um pseudo-taoísta vai dizer que jesus estudou o tao só pq se auto-afirma como O caminho (dao)… do mesmo modo que um ateu vai dizer que ele não morreu na cruz, qual hórus, e foi pra cashimira ou herai no japão… jesus é mó bombril, talvez por isso seu culto seja tão forte até hj…

    Já o Rock é, não só música, mas uma arte quase xamânica. Nasceu das escalas do blues, nasceu com um Q teatral. O rock e as porta da percepção, ao menos até o rock virar algo domesticado cheio de canções “eu te amo”, “eu te quero”, “eu sinto sua falta”, sempre andaram juntos.

    Claro, que como o ColdPlay demonstra, o rock pode ser “extasiático” sendo “careta”. Pena q a MTVbr tire sarro do fato do vocalista do coldplay dizer com orgulho que não usa nenhum tipo de droga, entre elas o café e o chocolate.

    As drogas e o rock foram inseparáveis nos anos 60/70, época em que a “couraça muscular” do corpo social era monstruosa, principalmente pelo moralismo cristão imposto e a guerra fria. Talvez hoje não haja essa necessidade coletiva, pois o moralismo cristão enfrequeceu sua influência e a guerra fria ‘cabou-se.

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    RAM:
    Uma grande falta de vergonha isso sim. Eu já li muitas entrevistas legais sobre drogas no rock em revistas como Rolling Stone, NME,…

    EU:
    concordo. A edição em homenagem ao Jerry Garcia (sou fã pacas do greatful dead) faz vc ficar até com medo do vício em heroína do tio JErry. No brasil ÉTICA é artigo de luxo em faculdades de comunicação social. claro que há quem se salve.

    Na Cásper Líbero, passei por dois professores de ética. O primeiro, o Sr. Carlos Alberto Di Franco, expulsamos (como eu era o tiozinho do centro acadÊmico agitei até parar a paulista na época com os alunos, coisa de moleque MACONHEIRO que eu era) por ser da Opus Dei. E mesmo assim no ESTADÃO saiu publicado que fizemos manifestação na paulista prele continuar no cargo de coordenador da cadeira de jornalismo e como prof. de ética (Ó a ÉTICA dele, que era do conselho editorial do estadão).

    O outro professor de ética foi demitido por COMER ALUNAS. Sumiu e não entregou as notas da turma, hj é jornalista no canal rural lá da bandeirantes… e ainda tinhamos o grande MArcos Faerman (gente fina em muita coisa e quem me empurrou pro fotojornalismo) que falava pelos corredores que aula de ética era uma merda, pois quem fala de ética não tem - pelos exemplos que tive na cásper o faermão tava até certo… enfim… falta de noção do jornalista q entrevisto o iggy. o que é normal nos cursos de comunicação hj. pra muito jovem jornalista até jabá é ok.
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    RAM:
    Vamos fazer o seguinte, a cada real gasto nestas atividades, um imposto socialista de duas vezes o valor tem que ser pago para futuras compensações.

    EU:
    Não sei se entendi direito seu último parágrafo. Mas a ‘culpa’ da cultura das drogas existir também é do Estado. É foda seu dinheiro servir para pagar pelas conseqüências do uso de drogas de terceiros, é.

    Mas lembremos que o mesmo Estado que com seu imposto cuida de vc e do drogado é o mesmo Estado que “alimenta” a industria do tráfico.

    Seja a CIA financiando heroína ou “importando” cocaína pros EUA. (para quem se interessar o mini-documentário CRACK THE CIA no www.gnn.tv fala disso) Seja o Lula e sua amizade com as FARC (www.midiasemmascara.org). Seja políticos do PSDB, PFL recebendo dinheiro do tráfico via empresários legais, o Estado é conivente.

    O Estado não impede a disseminação do tráfico. Ele até lucra com isso direta e indiretamente.
    O Estado não pune policiais envolvidos com as chefias do tráfico. Em minha cidade os dois mesmos policiais civil e militar comandam a sujeira toda há mais de 10 anos.

    Acho que o Estado por toda essa sujeira que sua “incapacidade” não consegue filtrar, tem sim de custear o prejuízo que o consumo de entorpecentes causa ao indivído que ao pagar imposto, assim como vc, não teve a mesma força de vontade, ou mesmo a mesma auto-estima que vc tem para sequer entrar nesse mundo que nos rodeia cada vez mais, principalmente nas camadas mais baixas onde a falta de policiamento torna a compra mais fácil.

    A isso chamo COMPAIXÃO - sofrer junto. Maior lição que Yeshua deixou, tendo comido cogumelo ou não, tendo morrido na cruz ou não, tendo curado com magia e kaneh-bussum ou não… enfim, concordo com tudo q disse, menos esse finalzinho de aparência dualista: “eles lá, eu cá” :)

    PS:se meus comentários extensos estiverem sendo impertinentes à seu blog ou leitores, avise, que me controlo mais.

  2. Daniel Malaguti Says:

    Olha. no caso das drogas legalizadas (álcool e tabaco), o custo social do abuso, ao menos no Brasil, é amplamente financiado através dos altíssimos impostos incidentes sobre ambos, que chega, contando tudo, a mais de 80% do preço final ao consumidor. Não existem estudos conclusivos sobre se esse valor é suficiente. Mas se não for, aumentem os impostos até o valor necessário. Isso foi feito nos EUA, de forma indireta, quando a indústria de cigarros aumentou os preços para poder pagar as indenizações vultosas resultantes de class actions dos Governos estaduais e federal.

    No caso das drogas ilegais, é óbvio que elas não pagam impostos, justamente porque são ilegais. Assim, como atendimento pelo serviço de saúde pública é um direito constitucional (no Brasil) o custo do abuso acaba sendo financiado por quem não tem nada a ver com isso. E mesmo que fosse constitucionalmente possível não há como diferenciar no momento do atendimento. Se o sujeito dirige alcoolizado, bate e chega todo arrebentado no Miguel Couto não há tempo hábil para aplicar o bafômetro. Ele morreria antes.

    Se as drogas fossem legalizadas seria possível, através de impostos altos, financiar os custos sociais, livrando os demais contribuintes de arcar com os mesmos. É claro que se a proibição fosse realmente imposta, isso não aconteceria. O problema é que não há pais no mundo, seja o Brasil, os EUA ou a Europa em que a proibição do uso de entorpecentes seja realmente cumprida. Daí que os custos sociais aumentam cada vez mais, sem que haja uma fonte de custeio para isso.

  3. Rafael Lima Says:

    “…se olharmos bem, eles criam suas melhores obras quando na neura pela próxima dose, não quando sob efeito dela…” Perfeito, a criação vem depois, durante o período de “clareza” e não durante o “high”, quando o que acontece apenas é a inspiração.

    “Se as drogas fossem legalizadas seria possível, através de impostos altos, financiar os custos sociais…” Bom motivo para ser contra as drogas: eu não aguento mais pagar imposto! Mais um imposto a ser sonegado no Brasil.

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