O PODRE MUNDO BLOGUE
Ando um pouco esgotado do universo blogue. A maioria dos blogues que costumo ler entraram numa rotina, e os autores se acomodaram com certos tipos de textos, e certas mensagens intelectuais embutidas neles. Ao menos é bem melhor que o jornal, cuja única função tem sido ser subserviente aos seus anunciantes, entre eles o maior de todos: o governo brasileiro.
Mas voltando ao universo blogueiro, a meu ver houve uma excessiva intelectualização por conta da vontade de se popularizar. São poucos, e justamente as honráveis exceções, os blogues que partem de experiências pessoais dos autores. Não estou dizendo aqui as agendinhas, ou blogues que se metem a eternas discussões filosófico-políticas, ou a polêmicas. Mas sim aqueles aonde o autor parece escrever sobre algo que ou realmente lhe significa muito, ou foi uma experiência sua. São poucos os que escrevem sobre livros como se os tivessem lido e gostado mesmo. Uma pena o mundo moderno se encontra num vazio existencial gigantesco justamente pelo excessivo exercício da racionalidade pura e simples. Inteligência é diferente de racionalidade…
Talvez seja por esta razão que tenha dado uma parada de escrever aqui. Assuntos não faltam não. Fiz muitas coisas dignas de nota, ao menos pessoais, nestas férias. Mas faltou a intenção que vem de dentro, o impulso por escrever. Ao contrário de um escritor profissional, que encara com seriedade e assuidade seu trabalho, o blogueiro amador, isto é, eu, faz seus textos por impulso, sem nenhuma preocupação com a técnica. Portanto se o impulso está refreado, a tendência é criar um modelo mental a partir do qual pode se produzir infindáveis textos, todos com o mesmíssimo sabor. Exatamente o sabor isopor que anda imperando na nossa blogosfera.
Acho que isso não é propriedade exclusiva do Brasil. Nos EUA, os blogues que leio se tornaram especializados demais, e portanto entediantes. Qual o ponto de ler uma análise sobre o partido democrata por dia? De estar a par de todos os movimentos do Barack Obama? Ou de saber da énesima avaliação crítica de um livro? É interessante quando é surpreendente… Ultimamente, os melhores textos tem sido do Rafael Lima, que consegue descobrir em Perth alguns programas que fogem a rotina. Eduardo Carvalho tem escrito um blogue bem bacana, apesar de algumas vezes pecar por excesso de coerência. Acho que se todos os interessados por administração tivessem a cultura e o interesse de um Eduardo Carvalho, o país era outro, sem necessidade de apelos para verbas governamentais. As críticas literárias do Polzonoff continuam sendo um grande prazer de ler, e as colunas do LEM no Digestivo parecem sempre me surpreender. O Digestivo Cultural continua a ter bons textos, bem mais dispersos que antes.
No entanto, em todas coisas que tenho lido, inclusive meus textos mais recentes, há uma certa plasticidade, decorrente do esgotamento mencionado anteriormente… Escrever pensando demais, especialmente no leitor, é perigoso. Serve de alerta para meus companheiros de favoritos na barrinha ao lado. Já de posse deste meu novo mantra, espero que eu não caia na minha velha rotina. Para começar a sair da rotina vale ler alguns livros do Rollo May, como “O homem em busca de si mesmo”.
February 17th, 2007 at 6:17 am
Preciso como sempre. O mundo blogger haviam perdido o Mojo (Pellizzari) e agora perdeu o próprio mojo. Um dos poucos que ainda fala do que importa é Petrarca.
February 21st, 2007 at 6:38 am
[…] ou fico tranqüilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo. No Comments » No comments yet. RSS feed for comments on t […]
February 21st, 2007 at 6:42 am
Engraçado. Foi só você questionar a perda de naturalidade para eles se profissionalizarem. Como será que isso está ligado?