RIO: SOCIEDADE SEM SENTIDO
A violência irracional que toma conta da cidade do Rio de Janeiro tem vários reflexos: a falta de educação das pessoas no transporte público, com empurrões desesperados no metrô, a falta de civilidade, como quando carros não abrem caminho para ambulâncias, o desrespeito ao mais básico que se espera dos partcipantes de uma sociedade civilizada, como respeito ao professor em sala de aula, e aos pais em locais públicos.
No último episódio de selvageria da cidade, um menino foi arrastado por mais de sete quilômetros por vários bairros, por dois assaltantes que roubaram um carro. Inicialmente pensei que fizeram isso no desespero, mas testemunhas e os próprios assaltantes confirmaram que perceberam o menino preso no cinto, inclusive criando a alcunha “filho de Judas” para a criança… Perante a esta cena, fica difícil engolir o argumento estatístico, verdadeiro, de que a violência na cidade está menor do que há dez anos atrás. Infelizmente, a violência pode ocorrer em número menor, mas está mais crua, mais fria, e mais irracional. Os perpetradores de atos violentos não se refreiam mais, e a população cada vez menos civilizada se torna vítima, e ao mesmo tempo, motor, desta situação.
Não somos todos responsáveis pela violência da cidade não. Responsáveis são bandidos, pivetes e outros depravados que deveriam estar na cadeia. Responsáveis são sucessivos governos populistas, apoiados por boa parte da população, que pregaram uma falsa misericórdia, e a mediócre “justiça do mais pobre” como solução para a desigualdade econômica da nossa cidade. Ninguém quer admitir, mas boa parte da desigualdade não resulta de injustiça, e sim da diferença de competência. Não conheço uma pessoa competente, do jardineiro aqui do prédio a amigos engenheiros, que não estejam ganhando relativamente bem, e vivendo uma vida honesta. Enquanto tratarmos a pobreza como uma doença, e formos babás das pessoas, ao invés de focalizarmos no aumento de oportunidades, as coisas continuarão como estão…
De qualquer forma, em muitos serviços, em muitas áreas, a mediocridade impera na minha cidade. A saúde pública é um escândalo. Mas é escandaloso também a qualidade dos serviços de muitos restaurantes, onde garçons não tem a mínima cortesia com sua clientela, ou de lojas onde os vendedores não conseguem conversar com o cliente sem usar termos como “meu irmão”. O Itaú mantém vários vendedores na rua
que já me chamaram de “sangue bom”, “aé mermão vai querê o plano”, etc. Realmente não será assim que irão me convencer a abrir uma conta naquele banco…
Nossa cidade descambou para uma falta de classe e educação generalizada, problema que não tem solução a curto prazo. E só para espantar a dúvida, o racionalismo quadrado, com milhões de livros e bibliotecas não vai resolver o problema não, especialmente para um povo que historicamente sempre foi mais regido pela emoção… Falta educação em casa, aquela que vem da família. E isso só mudará quando acabarmos com a condescendência que impera na cidade.