Frida Khalo e o Moma SF

O museu de arte moderna de San Francisco é maravilhoso, e não é. Encontrei alguns quadros fantásticos, como Lesende de Gerhard Richter, que apesar de ser um quadro que não inventa nada, capturou a minha atenção. Em compensação encontrei uma série de obras que realmente não entendi o propósito, e mostram talvez a futilidade de tornar arte algo além de pessoal, e histórico. Por exemplo, vi uma tela em branco, um bebedouro, uma “escultura” deprimente do Dali, e o famoso pinico do Deschamps, com a seguinte observação genial: “o pinico original foi roubado ou destruído. Deschamps selecionou um segundo pinico, que é este que está exposto”. Pagar 7 dólares para ver um penico que posso ver de graça no banheiro público?

Existe uma seção no MOMA que achei divertida e inteligente, que expõe como peças de arte, o design de aparelhos eletrônicos, como Iphone, móveis, roupas e até técnicas de passar roupa. É interessante, divertido, mas não é emocionante para mim. Mas ao menos é uma valorização de algumas idéias muito bacanas de design industrial. O que mostra que arte não precisa ser somente filosófico, pode ser algo prático, para o público, para o tão temido “mercado consumidor”.

O que me dei conta no MOMA, se é que é representativo de arte moderna, é que arte moderna significa trocar o aspecto emocional de uma obra, pelo valor do choque, da crítica política ou de algum conceito mental, muitas vezes indecifrável. Por isso que me senti completamente fora de lugar no MOMA SF. A minha ligação pessoal com arte é através da emoção.

E por isso que chego a exibição de Frida Khalo no Moma. Ela nunca me empolgou muito porque sempre me foi apresentada como a artista engajada, assim como seu marido, que acho um porre, Diego Rivera. No entanto sorte a minha que fui a apresentação dos quadros dela. No meio a vários quadros sobre dor, e filhos, que achei bonito e repetitivo, encontrei o que para mim é a gema da coleção (Moisés, 1945):

Moises (1945) Frida Khalo

Feito logo ao fim da primeira guerra, sintetiza perfeitamente muitas idéias e emoções, e a constatação que até mesmo o maior horror dos horrores, são nascidos do ventre. Somos todos humanos, e tomamos decisões humanas. E se há tragédia e morte, haverá sempre no amanhã, a vida. Não sei qual foi a intenção dela ao pintar este quadro, mas sei que foi certamente um dos quadros que mais me emocionou nesta última ida ao museu.

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