COLDPLAY

Fui no show do Coldplay hoje para acompanhar um amigo. Lembrei porque parei de ir a megashows. São chatos e caros. As músicas são boas, mas como é mega, não existe muita espontaneidade, porque o músico tem que ser profissional. A platéia também é profissional e faz mais ou menos aquilo que se prevê. Com raríssimas exceções (como a bela festa milenar do Kumbh Mela), juntar uma multidão de seres humanos é senha para comportamento maciçamente primata.

Vocês podem imaginar que isso é uma espécie de conservadorismo, ou coisa do gênero. É só bom senso. Até porque até mesmo concertos de música clássica são lugares para “ver” e “ser visto”. A maioria das pessoas vão lá pelo ego, e para satisfação social. O melhor exemplo disso é que um dos maiores violinistas do mundo tocou grátis dentro de uma estação do metrô, em um desafio do Washington Post, e só mesmo 3 pessoas pararam para ouvi-lo…

Quanto mais você reflete, mais periga concluir que o máximo que os seres humanos estão construíndo em termos de sociedade é um palanque para medição do ego… Tomara que um dia as pessoas parem com isso. É sacal. Me faz entender porque muita gente boa se isola lá nos Himalaias, destituida de tudo. Pode ser espontâneo!

4 Responses to “COLDPLAY”

  1. Carla Cristina Says:

    Oi, Ram
    Que bom ler seus textos.
    Quanto a este, não concordo que pessoas vão a concertos para verem e serem vistas tão somente, não grande parte.
    Acredito ainda numa busca humana pelo que é belo e até digno, por menos que acredite numa “genuína bondade” humana. Já me surprendi muito em concertos musicais populares quando vi pessoas que nunca imaginava ver prestando atenção ao que ouviam. Sim, me decepcionei com o ver outras conversando, mas isso também faz parte como sabemos..
    E quanto ao comportamento primata, não me iludo, é possível que ele se manifeste em qualquer pessoa por mais religiosa, culta, intelectual que seja. Sendo assim, haja religião, haja livros, haja cultura, haja amor, para tirar de nós - ouso pluralizar - a parte chimpanzé que em nós existe e não há Himalaia que evite isso, não por muito tempo.

  2. Andréa Trompczynski Says:

    Nossa, Ram, você continua o mesmo, mas, seu texto quanto diferença! Acabei de receber do LEM o endereço do seu blog, menino, preciso dizer que o tempo lhe fez muito bem. Texto mais conciso, objetivo, simples e… muito bom! Aliás, tomei a liberdade de te convidar no Orkut, e, pedir seu e-mail para nosso amigo em comum. Estive longe da internet um tempo e voltei, ah, fiz blog, ai, de novo? Rs… Ram, saudades de te ler, vou ler mais, ah, sobre o post, tenho trauma de grandes shows, quase fui pisoteada uma vez pela massa em fúria num show dos Titãs na Ópera de Arame, em Curitiba. Ainda bem que a polícia estava perto e me socorreu. A massa é punk, Ram. Medo, muito medo da massa. Bjo!

  3. Andréa Trompczynski Says:

    aliás, tomei outra liberdade, linkei vc lá na minha casa, ô mulher folgada.

  4. Rafael Says:

    Fala, Ram!

    Fazia tempo que eu não passava por aqui. Gostei especialmente do banner da página, ficou show! Com relação ao violinista, acho que contribui para o fato de não terem dado muita bola para ele a pressa típica das pessoas que utilizam o metrô. Aliás, isso já vale um estudo: por que as pessoas correm para pegar o trem se logo depois vem outro?

    Abs,

    Rafael

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