CONSISTÊNCIA E LEALDADE

June 10th, 2008

As pessoas me pedem consistência. Mas estou sempre mudando. Sempre que me colocam em alguma caixinha, em alguma classificação, eu já cai fora. Não sou, nunca serei consistente com a expectativa dos outros. Sou consistente aos meus princípios. E um deles é estar permanentemente aberto as possibilidades da vida, a mudança. É ter uma atitude permanente de surpresa com os acontecimentos. E algumas vezes é até mesmo falar o que se pensa, sem ter certeza, e mudar, caso se esteja errado. Algumas pessoas se irritam comigo por isso. Você é inconsequente, inconstante, ou coisas do gênero. São poucos que entendem o meu profundo respeito as pessoas em geral, e as pessoas mais próximas de mim em particular. Meu respeito se mede pela minha lealdade. Há uma grande diferença entre ser leal, e ser consistente.

Uma pessoa consistente, geralmente é desleal, porque se sua consistência é ameaçada por um outro ser humano, ela sempre escolherá a segurança da consistência. Jamais o desconforto da lealdade. A lealdade é literalmente estar ao lado de alguém, fazendo o que for possível por este alguém. Lealdade se mede pelo sacrifício. Quantas vezes você deixou algum assunto marginalmente importante para manter a fidelidade e lealdade a um amigo? Quantas vezes disse SIM quando lhe pediram alguma coisa?

A lealdade é uma escolha. Não necessariamente é uma virtude essencial ao ser humano. Mas consta no meu princípio de vida. Sou leal as pessoas, por mais que não sejam comigo. Minha lealdade é ao princípio de ser intolerante ao sofrimento alheio, pequeno ou grande. Se podemos fazer alguma coisa, porque não?

Mas não me peçam para ser consistente. Não me peçam para encaixar nos seus modelos de vida para mim. O que um ser humano é, ninguém consegue dimensionar. Somente pessoas superfíciais, ou sem imaginação é que imaginam que sabem tudo o que alguém é. Superficialmente pode até ser. Muitas pessoas vivem a sabor de esteriótipos. Mas em realidade devemos sempre perguntar ao outro: quem é você? O que você sente, pensa? Estou agindo bem com você? Você precisa de alguma coisa? Porque você agiu assim? Este respeito é a regra fundamental da civilização.

E se você acha que me enquadra como um carioca, sou indiano. Como um indiano, sou americano. Como cientista, sou um empresário. Como empresário, sou um monge. Como monge, sou um cientista. Como um esquerdista, sou de direita. Como de direita, sou de esquerda. Como dependente, sou independente. Como independente, dependo de quem amo. Como desorganizado, sou capaz do mais minucioso e detalhista dos trabalhos. Como organizado, sou o próprio caos. Como inteligente, sou bem estúpido. Como estúpido, sou bastante inteligente. Como de sucesso, sou desconhecido. Como desconhecido, tenho muito sucesso.

Mas se tem uma coisa que sou, sou leal. Sou leal a minha humanidade, e a humanidade do próximo. Nisso você pode contar comigo.

AIM HIGH, LOOK FORWARD

June 7th, 2008

Ter sonhos, e visões grandiosas, não é ruim não. É importante. Mais importante ainda é trabalhar para transformar estes sonhos em realidade. A vida não é algo muito glamuroso. Com um pouco de sorte, quem trabalha duro e sonha alto tem uma vida interessantíssima e com sucesso. A satisfação pessoal advém do sentimento de que somos capazes de realizar nossas visões. Este prazer independe do reconhecimento dos outros sobre quem somos. Junto com alguns sonhos, é muito importante ter alguns princípios. Príncipios flexíveis o suficiente para serem mudados ao longo da vida.

Nossos princípios morais e éticos mudam de acordo com o nosso aprendizado. Mas devemos a todo momento estar conscientes de quais são eles, e se agimos sem estar de acordo com estes princípios, qual foi a razão? Agimos mal? O princípio tem que ser mudado ligeiramente? Uma combinação dos dois?

No mundo de muitas culturas que se dissolvem uma nas outras, não adianta imaginar critérios rígidos para julgar as ações de todos. Por outro lado, relativizar completamente todas as ações individuais é caminho para uma sociedade menos saudável. Bom é o caminho do meio: procurar conhecer os princípios alheios, e manter sempre o PRINCIPAL deles: “Respeito a mim, respeito ao outro”.

SOBRE DIREITOS AUTORAIS

June 7th, 2008

Recentemente, aconteceu o seguinte episódio em um programa de pós-graduação da universidade federal: um aluno (chamaremos de A) com iniciativa resolveu publicar um trabalho seu em uma conferência, incluindo na lista de autores todos que efetivamente participaram da execução do trabalho. De repente, os outros alunos da pós, se revoltaram dizendo que “não é só ele que queria ser cientista”, “que pesquisa deveria ser direito igual para todos”, e coisa do gênero. Um dos reclamões, resolveu então pegar resumos de projetos do laboratório dividir equitavelmente entre os demais, e enviar para a mesma conferência. Tudo bem, se os projetos tivessem tido participação dos revoltosos… Inclusive um projeto do aluno A, foi enviado sem o aluno A constar entre a lista de autores. O pior de tudo, e que professores bundões concordaram com tudo isso…

Responsabilidade pessoal e luta pela excelência estão em baixa… Nem tudo na vida advém de direitos. Pelo contrário, as melhores coisas da vida, advém de perseverança, trabalho duro, criatividade, e conhecimento.

Em um jantar recentemente, me acusaram de ser elitista, porque eu continuo achando que mesmo em um país com desigualdades como o Brasil, temos que premiar os melhores, não importando sua origem. Se você quer premiar alguém que se esforçou porque saiu da miséria, e virou um engenheiro, então crie uma premiação especial para isso. Reduzir a demanda por qualidade, só porque as pessoas que atingiram sairam com vantagem no início de suas vidas, e um desincentivo para aqueles que superam suas dificuldades! Enquanto não premiarmos talento e inteligência, sem misturar política e economia no meio, estamos fazendo um deserviço ao pais.

Uma escola da vizinhança dos meus pais no RJ resolveu dar um prêmio para o melhor aluno de cada série. Quando chegou o mês da entrega do prêmio, os pais dos outros alunos reclamaram. Premiar quem é bom “faz mal ao meu filho”, “inferioriza”, “preconceito”, “injustiça”. Aquelas ladainhas de sempre. Resultado, a escola mudou a política e resolveu dar o “prêmio”, para a TURMA inteira do melhor aluno… É ou não ridículo? Aprender a apreciar a competência alheia, e usar isso como motivação para melhorar a si próprio é uma qualidade importante para a excelência de qualquer ser humano. Porque não ensinar ao seu filho a batalhar pelo que ele não conquistou este ano? Pelo contrário, muitos pais preferem ensinar ao filho, se você não ganhou, não é porque o outro fez algo de bom, é porque o outro aprontou alguma, e o negócio é lutar pelos espólios da vitória… Eu tiraria meu filho de uma escola assim. Mesmo que nós criemos desculpas para nossos fracassos, o mundo não tem lugar para isso… Não é a desculpa que é a lição de vida de uma situação destas. É a motivação para acreditar que todos temos o mesmo potencial.

SEDE DE VINGANÇA

June 7th, 2008

Ouço alguns amigos brasileiros salviando com a possibilidade do Barril de óleo a 200 dólares no futuro, mesmo que nossa economia ainda dependa essencialmente de exportação para os EUA e para UE. A razão é porque “iriamos ensinar uma lição naqueles americanos”… Se for para o Brasil ser líder mundial, com este tipo de gente revanchista e atrasada no comando, é melhor nem chegar lá. Quando eu digo que ainda bem que o Brasil não é a potência que imagina, as pessoas acham que é por arrogância. Não é não. Você já imaginou quantos anos de frustração reprimida irão vir a tona? Já imaginou o que nossos conterrâneos são capazes, em nome de “consertar injustiças”? Certamente, somos inclinados a vingança.

TERMINANDO A TESE

June 7th, 2008

O desaparecimento deste espaço se deve, entre outras coisas, a terminar a tese e planos futuros. Não se preocupem, o blogue voltará no próximo semestre as atividades normais.

CITEM A ORIGEM

November 30th, 2007

Recentemente tenho recebido um monte de e-mails com citações de trechos de reportagens ou textos da internet, com linques para esta ou aquela revista. Um péssimo hábito dos e-mails em português que recebo é que as pessoas se omitem de informar de onde tiraram aquilo. Se você achou um artigo da New Yorker, no blogue de alguem e resolveu me mandar, por favor informe (encontrado em xxxxx) com o linque para a origem… Eu sei que as vezes é preguiça de fazer isso, outras podemos conseguir alguma audiência (poxa, como ele sabe taaantooo?), mas para quem realmente está interessado no assunto, é um empecilho, porque se você quer saber mais, quer ir entender mais, fica a mercê do Google.

Discussões e troca de conhecimento é a forma errada de discutir hombriedade. Quer fazer isso, caiam na porrada na rua. Não existem pessoas mais sabias ou menos sabias, existem aquelas que dividem o que sabem, e as que não fazem isso. As primeiras crescem, as outras esquecem. Portanto, para ajudar o leitor que vocês se dirigem, é uma boa fazer referência a fonte. Não tem nada demais o fato de que você tirou aquilo do texto de alguém. Afinal, tudo que sabemos, veio de algum lugar…

TOP 10

November 28th, 2007

Os dez diretores de cinema preferidos de uma tropa americana no Iraque (vem daqui):

1. Stanley Kubrick
2. Sergio Leone
3. Akira Kurasawa
4. Quentin Tarantino
5. Francis Ford Coppola
6. John McTiernan
7. Mario Van Peebles
8. The Farrelly Brothers
9. Robert Rodriguez
10. Luc Besson

ROUBO DE IDENTIDADE

November 26th, 2007

A melhor defesa no Brasil contra o roubo de identidade autoral é escrever português direito. Todos os casos em que vi, o pseudo-autor ou comete erros terríveis na nossa querida língua, ou escreve coisas inverossímeis (ou alguém acha que um Reinaldo Azevedo quer uma nação só branca — e escreveria isso?).
Na verdade estive pensando sobre como proteger a identidade de uma maneira muito mais agradável que o sistema carcerário atual (digitais, n documentos etc.). Me ocorreu a seguinte idéia: basta fazer um teste rápido de português, de classe e respeito. Pronto, provavelmente você só poderá ser confundido com os outros 1000 brasileiros que tem todos eles. O que tem uma probabilidade bem menor do que você estar com uma carteira falsa, ou que sua digital seja confundida com a de alguém (ou que você imite a assinatura de alguém). Funcionaria muito bem, e seria de uma elegância maravilhosa.

TAXA DE HOMICÍDIOS

November 23rd, 2007

O Brasil já está entre os 4 lugares mais perigosos do mundo para se morar. A taxa de homicidio brasileira foi de 23.5 mortos a cada cem mil habitantes, e pode ser comparada com outros paises aqui. Já estamos a frente da Rússia e encostando na Venezuela… Será que isso pode ser encarado como sendo normal?!

FRASES QUE FUNCIONAM MELHOR AO CONTRÁRIO

November 13th, 2007

Existem algumas frases (chame de ensinamento ou haiku ou sabe-se-lá o que) que funcionam melhor quando ditas ao contrário. Um exemplo perfeito que encontrei hoje:

“If my mind can conceive it, and my heart can believe it, I know I can achieve it.”– Jesse Jackson

Eu prefiro infinitamente mais, para uma vida mais arejada e tranquila:

“If my heart can conceive it, and my mind can believe it, I know I can achieve it”. (ou melhor ainda se o final for “I know it is worth achieving it.”)

Podem contestar a vontade, mas eu mesmo não acredito tanto assim no poder da “mente”. Basta ver o número de mentalistas chatos que figuram em qualquer festinha que você freqüenta…